Escolas públicas de São Paulo ganham quase 20 mil alunos na pandemia

Autoridades públicas dessa área apontam que o principal fator é a crise econômica provocada pelo novo coronavírus

Pedro Duran e Giulia Alecrim, da CNN, em São Paulo

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Mesmo com portas fechadas, as escolas públicas do estado de São Paulo receberam 19.894 matrículas desde março deste ano. As autoridades públicas dessa área apontam que o principal fator é a crise econômica provocada pelo novo coronavírus.

Sem aulas presenciais e com os filhos em casa, muitos pais decidiram tirar os filhos de escolas privadas e colocar nas públicas como uma forma de economizar. “O que a gente não sabe é se esses alunos vão ficar nas escolas públicas ou se os pais vão rematricular eles nas particulares quando as aulas voltarem”, disse à CNN o Secretário de Educação da cidade de São Paulo, Bruno Caetano.

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O município foi o que mais ganhou novos alunos na pandemia, 8,3 mil. Já as escolas públicas do governo estadual receberam 8,1 mil pedidos de matrícula. As unidades de ensino vinculadas às prefeituras do interior receberam 3,4 mil pedidos de matrícula.

Efeito ‘barriga de aluguel’

Internamente, autoridades de educação suspeitam que um dos motivos para as novas matrículas seja o que estão chamando de “efeito barriga de aluguel”.

É como se a matrícula na escola pública fosse temporária, já que os pais são obrigados por lei a manterem regularmente matriculados em escolas filhos com mais de 3 anos de idade.

Assim, a matrícula seria “pró-forma”, apenas para evitar problemas com a Justiça ou o Conselho Tutelar.

Fator político

A decisão de volta às aulas presenciais na cidade de São Paulo será tomada por volta do dia 18 de setembro, quando a prefeitura já terá em mãos os resultados da terceira bateria de testes feita em alunos.

Até agora eles concluíram que há 18% das crianças imunizadas, porque tiveram o vírus e desenvolveram anticorpos. No entanto um número acendeu um alerta para a prefeitura: 69% dos que tiveram coronavírus foram assintomáticos. Isso significa que a política de testar e afastar alunos com sinais de coronavírus pode não ser suficiente para conter uma onda de contaminação local.

Ainda assim, a prefeitura não tem critério ou regra para bater o martelo sobre quando e como as aulas presenciais vão voltar. Não há um percentual de mínimo imunizados para que se as portas das escolas sejam reabertas, mas o fator político pesa na decisão.

Há nos bastidores o receio de uma greve dos professores de escolas municipais. Por outro lado há uma pressão das particulares para voltar. 

O que se sabe é que as aulas não voltam antes de 7 de outubro. Mas, se essa data for mantida, professores voltaram dia 28 de setembro para preparação dos protocolos e adaptação do material letivo para receber os alunos.

O problema é que a data cairá a um mês e meio das eleições municipais, e Bruno Covas disputará a reeleição. O risco de uma greve dos professores no meio da campanha eleitoral preocupa aliados do prefeito de São Paulo.

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