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    Especialistas alertam para risco de doenças após enchentes no RS

    Leptospirose, dengue e diarreia estão entre as doenças que podem ser transmitidas em meio ao acúmulo de água

    Alagamento persiste em áreas do Centro Histórico de Porto Alegre
    Alagamento persiste em áreas do Centro Histórico de Porto Alegre Evandro Leal/Enquadrar/Estadão Conteúdo

    Felipe Souzada CNN*

    Em São Paulo

    Além das mortes e das quase 600 mil pessoas que ficaram desabrigadas, as chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul desde o fim de abril devem gerar outro problema para os moradores do estado: as doenças em consequência das enchentes.

    A infectologista Natalia Reis, da Santa Casa de São José dos Campos, afirma que a comunidade médica já observa três fases de doenças: as de rápido diagnóstico, as doenças em período de incubação e as psicossomáticas. De acordo com o último boletim da Defesa Civil, divulgado na manhã de segunda-feira (20), mais de 2,3 milhões de pessoas foram afetadas pelas enchentes no estado.

    “Em uma primeira fase, teremos muitos casos de gastroenterite, hepatite A, doenças cutâneas e infecções virais respiratórias. Num segundo momento, as doenças que têm período de incubação maior serão mais preocupantes, por exemplo: a leptospirose e a dengue. Todas as arboviroses têm um período de incubação maior, como chikungunya”, afirmou a infectologista.

    Reis alerta para um terceiro estágio: doenças de cunho psicológico, geradas por causa do trauma vivenciado pelos sobreviventes. “Existe essa repercussão agora imediata, que é realmente salvar as pessoas e tirar elas dessa crise inicial. Mas também existe o pós”, concluiu a médica.

    Contaminação pela da água

    O epidemiologista Natan Katz, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, destaca que também é necessário ter atenção para outras doenças, como as intoxicações que provocam diarreia.

    “A gente tem doenças diarreicas muito frequentes, tanto pela ingestão de água contaminada, quanto pelas dificuldades, muitas vezes, de higiene. Porque não tem água, consequentemente há dificuldade de fazer higiene das mãos e dos alimentos”, comentou Katz.

    O epidemiologista enfatiza a preocupação com infecções por água contaminada, pois, segundo ele, só o contato com a enxurrada, mesmo sem a ingestão, pode trazer consequências, como é o caso da leptospirose e doenças de pele alérgicas e infecciosas.

    Ações de Prevenção

    A infectologista Natalia Reis alerta para a necessidade de se ampliar campanhas de vacinação entre a população do estado.

    “Todo o país tem que estar em alerta sobre isso. Doenças que talvez estivessem controladas precisam de mais atenção, como a H1N1, pois estamos no período sazonal. Na maioria dos estados já começou.”, disse.

    Em algumas áreas, as pessoas já foram liberadas para retornar às suas casas. A médica afirma que, ao voltar para as residências, é necessário manter os cuidados.

    “Elas não podem entrar em contato nem com a lama e nem com a água sem proteção. Então tem que usar bota. Tem que usar calçado fechado com um saco plástico envolvido e fazer uma limpeza com água sanitária”, alertou a infectologista.

    O médico Natan Katz avalia que a responsabilidade do governo do Rio Grande do Sul é a de garantir o bom funcionamento da rede de atendimento em saúde.

    “Vai ter que ter um esforço de avaliar cada um desses locais, se estão em condições de atender as pessoas com a devida assepsia, garantindo que os locais estão adequadamente limpos” afirmou o epidemiologista.