Espero abrir caminho para outros que virão, diz gerente de conteúdo da CNN

A apresentadora do CNN no Plural, Letícia Vidica, fala que ser uma mulher negra no cargo de gestão de uma multinacional é exceção, e não motivo de comemoração

Da CNN

em São Paulo

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A gerente de conteúdo da CNN, Letícia Vidica, apresentadora da CNN no Plural deu um depoimento no Dia da Consciência Negra sobre racismo e representatividade.

Sou mulher, negra, em cargo de gestão em uma empresa multinacional. Eu acho que se a gente for olhar no mundo, tirando talvez a África, eu estou numa minoria e não é motivo de comemoração. Mas eu me sinto referência e espero que eu esteja abrindo um caminho para outros que virão.

Letícia Vidica

Letícia contou, ainda, sobre a idealização de seu programa na CNN Rádio, que além de analisar as questões raciais, quer abrir espaço para as discussões de gênero.

“O CNN no Plural nasceu de uma ideia que eu já tinha. É um projeto que eu trouxe para a casa de, na verdade, dar espaço para a temática da diversidade e da inclusão no jornalismo, trazendo outras caras, outras vozes e temas que são ligados à questão racial, à questão da comunidade LGBTQIA+, às pessoas com deficiência, e abrir este espaço na programação.”

Letícia Vidica, gente de conteúdo da CNN Brasil (20.nov.2021) / CNN / Reprodução

A gerente de conteúdo trouxe em sua fala um momento de emoção durante um dia de trabalho na rádio.

“Eu estava na CNN Rádio apresentando o CNN no Plural e um estagiário negro olhou para mim no final, começou a chorar e falou: ‘Eu vivi para ver esse momento. Eu estou aqui graças a vocês, eu sou jovem, eu sou periférico, eu venho de uma favela e eu estou aqui vivendo este momento agora. Muito obrigada por isso’. Aquilo me tocou tanto que eu falei: ‘É para isso que eu estou fazendo. É por isso que eu estou aqui’.”

Letícia Vidica relembra uma violência que sofreu no colégio, quando ainda era criança, e conta que “aprendeu o que é racismo pela vida”

“Na escola, desde pequena eu lembro de um episódio onde eu tinha um amigo que ficava me xingando todos os dias. Ele me chamava de Diabo da Tasmânia e aquilo me ofendia, eu não entendia porquê, até que um dia eu cheguei em casa e contei para a minha mãe e a reação dela, uma mãe preta, foi: ‘Se você não reagir é você quem vai apanhar’.”

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