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    Estudo aponta desigualdade racial na educação em todas as faixas de renda

    É o que apontam os resultados dos estudantes brasileiros no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), uma das principais provas avaliadoras do MEC

    Rodrigo Maia e Larissa Coelho, da CNN, em São Paulo

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    O número de estudantes pretos com desempenho adequado nas disciplinas de Português e Matemática é menor do que o percentual entre alunos brancos.

    Os dados, compilados pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) a pedido da Fundação Lemann, indicam que a diferença de desempenho acontece mesmo quando são comparados apenas alunos brancos e pretos de alto nível socioeconômico.

    No 5º ano, 74,8% dos alunos brancos de alto nível socioeconômico alcançaram bom desempenho em Língua Portuguesa. Entre os pretos com o mesmo nível socioeconômico nem a metade (48,9%) tem desempenho considerado adequado.

    Esse resultado é presente em todos o Brasil, mas em alguns estados a disparidade é maior. No Amazonas, Rio Grande do Norte e Roraima, por exemplo, a maior parte dos quesitos avaliados têm diferenças de desempenho por raça.

    Entre os fatores que contribuem para esse cenário, estão as desigualdades nas oportunidades e estímulos desde o início da vida escolar e o racismo presente neste percurso de aprendizagem.

    Sala de aula
    Foto: Prefeitura de Guaíra/Divulgação

    Para Ernesto Faria, diretor-executivo do Iede, a diferença na aprendizagem não se deve apenas à questão socioeconômica. Segundo ele, ao ser minoria, o aluno preto sofre um deslocamento em relação aos demais.

    “Diversas situações da escola, desde materiais didáticos a reforços positivos na escola, podem desestimular ou fazer uma criança preta a acreditar menos em si. Por não haver reforço positivo, referências negras, entre outros aspectos”, afirma Ernesto.

    O diretor-executivo do Iede avalia ainda que a falta de estímulos positivos aos alunos pretos e a baixa expectativa de professores com esses estudantes são fatores que pioram o cenário.

    “Professores e gestores escolares que conhecem poucos seus alunos muitas vezes avaliam seus alunos por meio de estereótipos ou até o que chamamos no meio acadêmico de discriminação estatística. Como alunos pretos têm média mais baixa, eles passam a ter uma expectativa mais baixa em relação a um aluno preto”, diz Ernesto.

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