Fogo no Pantanal é efeito de ação humana irresponsável e clima adverso, diz Inpe

Setzer afirmou que, apesar dos esforços de bombeiros e voluntários para conter as chamas, 'apenas uma chuva intensa conseguirá reduzir ou acabar com o fogo'

Da CNN

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O pesquisador Alberto Setzer, do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), afirmou à CNN, nesta terça-feira (22), que os incêndios que destruíram regiões do Pantanal são resultado da combinação de dois elementos: “Clima muito adverso e ações humanas irresponsáveis”.

“Sem dúvida, o fator climático é fundamental. Estamos em uma seca que não ocorria naquela região há aproximadamente 40 a 50 anos”, contextualizou.

Por um lado, “a seca cria as condições para a propagação do fogo”. Para além disso, a ação humana contribui.

“É fundamental levar em conta que todos esses incêndios decorreram de ações humanas indevidas – sejam propositais ou acidentais – o que resulta em uma combinação complicada”, classificou.

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O pesquisador Alberto Setzer, do Programa Queimadas, do Inpe
O pesquisador Alberto Setzer, do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)
Foto: CNN (22.set.2020)

Segundo o pesquisador, com base em dados de satélite e relatos de bombeiros que estão trabalhando na região, a suspeita é que “100% das queimadas descontroladas acontecem por ação humana”.

“Não adianta querer por culpa em ninguém, pois foi ação humana indevida numa situação de estiagem bastante anormal”, ressaltou.

Setzer afirmou que, apesar dos esforços de bombeiros e voluntários para conter as chamas, “apenas uma chuva intensa conseguirá reduzir ou acabar com a propagação do fogo”.

Algumas regiões do Pantanal registraram chuva no último final de semana. Embora tenham ajudado a dar uma controlada nos incêndios, as chuvas não foram suficientes para reduzir o risco na região, segundo o tenente-coronel Dércio Santos da Silva, do Corpo de Bombeiros do Mato Grosso, relatou à CNN.

O pesquisador do Inpe reforçou essa informação. “Infelizmente, essas regiões ainda não estão com chuva suficiente para minimizar os efeitos dos incêndios”, pontuou.

(Edição: Sinara Peixoto)

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