‘Cenas são incontestes de que houve excessos’, diz governador do RS sobre morte

Nas redes sociais, Eduardo Leite (PSDB) diz que 'cenas deixaram indignado pelo excesso de violência' e promete que responsáveis serão levados à Justiça

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo

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O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), afirmou nesta sexta-feira (20) que a polícia apurará todas as circunstâncias do caso que terminou com a morte de um homem negro espancado em uma unidade do supermercado Carrefour, em Porto Alegre.

“Infelizmente, neste dia em que deveríamos celebrar essa políticas públicas nos deparamos com cenas que nos deixam indignados pelo excesso de violência que levou à morte de um cidadão negro em um supermercado aqui na capital gaúcha”, disse Leite, em vídeo publicado em suas redes sociais.

“Os inquéritos policiais estão sendo levados adiante com muito rigor. Aqueles que se envolveram, [estão] detidos e já [foi] apresentado também o inquérito por homicídio triplamente qualificado. Toda a investigação vai se dar no curso desse processo”, completou o governador.

O governador disse ainda que será empenhado todo o esforço do Estado na apuração do caso para que “os responsáveis por esse crime enfrentem a Justiça, tendo oportunidade para sua defesa”. “Mas as cenas são incontestes de que houve excessos.”

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No mesmo vídeo, a chefe da Polícia Civil do estado, Nadine Anflor, afirmou que duas pessoas já foram presas e que outras duas serão investigada ao longo do inquérito policial. “A Polícia Civil dá uma resposta a essa intolerância que aconteceu ontem dentro de um mercado”, afirmou.

Ela disse ainda que no dia 10 de dezembro será inaugurada no estado a primeira delegacia especializada em crimes de intolerância. 

Já o comandante-geral da Brigada Militar, Rodrigo Mohr Picon, esclareceu que o policial militar temporário envolvido no caso será retirado da corporação nos próximos dias e responderá civilmente pelo crime.

Prefeito diz que violência é inaceitável

Prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr (PSDB), usou sua conta no Twitter para manifestar seu pesar à família e aos amigos da vítima.

“Meus sentimentos à família e amigos do João Alberto Freitas. Neste Dia da Consciência Negra, em que deveríamos celebrar o povo negro e refletir sobre igualdade e respeito, infelizmente acordamos com esta notícia lastimável. Não podemos aceitar este tipo de violência”, escreveu.

Incidente não esclarecido

De acordo com a Polícia Civil, houve um incidente ainda não esclarecido dentro do supermercado. O cliente, então, foi conduzido por dois seguranças até o estacionamento e, após passar pela porta do local, a polícia disse que ele teria dado soco em um dos vigias, o que iniciou os ataques violentos contra ele.

Cena de espancamento em unidade do Carrefour em Porto Alegre
A cena, em que dois homens brancos agridem a vítima, foi filmada e está circulando nas redes sociais
Foto: Reprodução / Redes sociais

Uma mulher que seria funcionária do supermercado tentou coagir o indivíduo que estava gravando as imagens das agressões, dizendo que o prejudicaria se ele continuasse com as gravações. Segundo ela, o cliente agrediu uma pessoa dentro da loja. 

A vítima chegou a ser atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas acabou morrendo. De acordo com a delegada Roberta Bertoldo, do 2º Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de Porto Alegre, suspeita-se que o homem tenha sofrido um ataque cardíaco por conta das agressões sofridas e por ter sido pressionado no chão por um certo tempo.

Carrefour lamenta ocorrido

Em nota, o Carrefour disse que “lamenta profundamente o caso” e que “adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso”.

A empresa informou ainda que vai romper o contrato com a companhia responsável pelos seguranças que cometeram a agressão e demitirá o funcionário que estava no comando da loja no momento do crime. A loja vai permanecer fechada nesta sexta.

“Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente”, diz o comunicado do Carrefour. “Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam.”

(Com informações de Jéssica Otoboni e Julyanne Jucá, da CNN, em São Paulo, e Bruna Ostermann, da CNN, em Porto Alegre)

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