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    Grupos de apoio à adoção precisam ser ampliados no Brasil, diz advogada à CNN

    Rachel Garcia, assessora Jurídica do Movimento Nacional de Adoção, defendeu a necessidade de um maior preparo para interessados em adotar crianças

    Pixabay

    Ricardo Gouveiada CNN

    em São Paulo

    O Brasil celebra neste 25 de Maio o Dia Nacional da Adoção, com objetivo de estimular e conscientizar sobre o processo.

    O país tem cerca de 32 mil adotantes para 4 mil crianças aguardando uma família. A relação transmite a sensação de um cenário favorável, mas não é.

    O problema é que a maioria dos interessados quer adotar bebês, que são uma minoria entre as crianças disponíveis para serem adotadas. A maior parte tem mais de sete anos de idade, segundo o Movimento Nacional de Adoção.

    No Brasil, o processo mais curto dura cerca de um ano e meio, quando os pais estão interessados em crianças maiores de dez anos. Apesar de mais breve, exige um trabalho intenso para evitar algo que ocorre em diversos casos: a devolução.

    “Isso se dá especialmente pelo despreparo dos pretendentes, e é por isso que a gente luta tanto para que o grupo de apoio seja uma fase obrigatória como uma preparação efetiva para os desafios da parentalidade”, defendeu a assessora Jurídica do Movimento Nacional de Adoção, Rachel Garcia, em entrevista à CNN.

    “Essas crianças chegam com muitas dores, têm desconfiança de adultos e demoram muito para confiar que essa pessoa realmente vai amá-la. E nem sempre o adulto está preparado para esperar esse tempo acontecer.”

    Para a advogada, a ampliação dos grupos de apoio com certeza reduziria os casos de devolução, já que os pretendentes “vão deixar de romantizar, de achar que só o amor basta, e vão passar a acreditar nos desafios que os grupos mostram para eles.”

    Rachel Garcia também esclareceu que irmãos podem ser separados num processo de adoção, desde que as famílias se comprometam a manter o contato frequente entre eles.

    Mesmo assim, muitas crianças nunca são adotadas e precisam deixar os abrigos ao completarem a maioridade.

    “Existem pouquíssimas políticas públicas para essas pessoas que fazem 18 anos num abrigo”, critica Rachel Garcia.

    “Em São Paulo tem alguns projetos de residências inclusivas e repúblicas para que esses jovens possam ter um lugar para ir. Do contrário, eles ficam a ermo, perdidos mesmo. Se não tiverem ainda um trabalho, eles não têm para onde ir.”