Hospital faz primeiro transplante de útero entre pessoas vivas na América Latina

Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo realizou procedimento em 17 de agosto

Rafael Saldanha, da CNN
Fachada do Hospital das Clínicas, na zona oeste de São Paulo  • Marcos Santos/USP Imagens
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O primeiro transplante de útero bem-sucedido entre pacientes vivas foi realizado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, no último dia 17 de agosto.

Uma mulher que havia nascido sem o órgão devido a uma síndrome rara de má-formação congênita, recebeu o órgão da própria irmã.

O procedimento representa um avanço significativo da medicina reprodutiva e foi conduzido pela Divisão de Ginecologia e pelo Serviço de Transplante de Fígado e Órgãos do Aparelho Digestivo do HCFMUSP.

O responsável pela cirurgia, doutor Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque contou que a cirurgia correu bem e sem imprevistos.

“As pacientes encontram-se em ótimo estado geral, mostrando recuperação completa e tendo a receptora apresentado ciclo menstrual pela primeira vez”, disse.

A iniciativa ocorreu em parceria com uma equipe médica sueca chefiada por Mats Brännström, precursor na realização de transplante uterino no mundo e que possibilitou o nascimento do primeiro bebê a partir de um útero transplantado, em 2014.

A paciente que recebeu o útero seguirá sendo acompanhada por uma equipe de Ginecologia do HCFMUSP e poderá realizar a primeira fertilização in vitro (FIV) cerca de seis meses após o transplante uterino.

O diretor de Ginecologia do Hospital das Clínicas, Edmund Baracat, explica que o transplante é psicologicamente muito importante para mulheres que não possuem útero, mas ressalta que a indicação é restrita.

“Trata-se de um procedimento inovador, complexo e de alto custo. É preciso que a mulher tenha boas condições clínicas e que o casal possa gerar embriões saudáveis. Na fase pré-transplante, foram efetuadas a estimulação ovariana e a coleta dos óvulos da paciente, bem como do sêmen do marido, para a fertilização in vitro”, afirma.