Império Serrano fecha o segundo dia de desfiles da Série Ouro

Agremiação da Serrinha foi um dos destaques da categoria, que promoverá apenas uma escola para o Grupo Especial de 2022

Stéfano Sallesda CNN

No Rio de Janeiro

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O segundo dia de desfiles da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro foi mais tranquilo que o primeiro, marcado por atrasos no início das apresentações, estouro de tempo por parte das agremiações e por um acidente. Todas as oito escolas conseguiram cumprir o tempo regulamentar de até 55 minutos e não serão punidas por descumprimento desta obrigatoriedade.

A noite foi aberta pela Lins Imperial. A verde e rosa fez uma homenagem ao humorista e sambista Mussum. O enredo lembrou a trajetória do comediante, nascido no Morro da Cachoeirinha, no Complexo de Lins. Foram apresentadas as participações em “Os Trapalhões”, a trajetória no conjunto “Originais do Samba” e as participações em obras de cinema e teatro.

A Inocentes de Belford Roxo contou a história da “Meia Noite dos Tambores Silenciosos”, tradicional festa que ocorre no Pátio do Terço, no Recife, para louvação dos eguns, termo iorubá para alma. O destaque da agremiação foi a comissão de frente “O elo entre os dois mundos”, com um grande tambor, do qual saia o orixá Oyá Igbalé.

Inocentes de Belford Roxo contou a história da “Meia Noite dos Tambores Silenciosos”, tradicional festa que ocorre no Pátio do Terço, no Recife / PEDROTX

De volta à Série Ouro depois de ter sido rebaixada do Grupo Especial, a Estácio de Sá fez uma releitura do enredo de 1995, quando homenageou o centenário do Clube de Regatas do Flamengo. Com um drone, a agremiação do Morro do São Carlos exibiu a camisa rubro-negra pelo sambódromo. Um carro trouxe o time de sósias do elenco atual, fenômeno de popularidade nas redes sociais.

A Acadêmicos de Santa Cruz homenageou o ator e diretor Milton Gonçalves, de 88 anos. Contou sua trajetória pessoal e profissional e paixões populares, como o Flamengo, a Mangueira e a literatura, além de valorizar sua trajetória na dramaturgia e como ativista do movimento negro, pela atuação na luta antirracista.

Depois de ter chegado perto do acesso nos últimos anos, com vice-campeonatos em série, a Unidos de Padre Miguel trouxe uma homenagem a Iroko, orixá do tempo e da ancestralidade. Na comissão de frente, o destaque foi uma grande gameleira, árvore na qual o homenageado é consagrado no candomblé.

A sexta escola a se apresentar foi a Acadêmicos de Vigário Geral, com o enredo “Pequena África – Da escravidão ao pertencimento, camadas de memória entre o mar e o morro”. Destaque para a comissão de frente, na qual dançarinos representavam estivadores com sacos de sal que formavam cartazes com vítimas mortas em operações policiais.

O Império da Tijuca reviveu sua tradição de enredos afro ao cantar a trajetória de um movimento que protestou contra o embranquecimento e a perda das tradições do carnaval. Liderada por Candeia, a iniciativa resultou na fundação do Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo (GRANES Quilombo).

Império da Tijuca reviveu sua tradição de enredos afro ao cantar a trajetória de um movimento que protestou contra o embranquecimento e a perda das tradições do carnaval / Henrique Esteves/Prefeitura do Rio de Janeiro

Depois do primeiro Império do Samba, foi a fez de o Império Serrano mostrar suas credenciais de favorito ao acesso ao Grupo Especial. Liderada pelo carnavalesco Leandro Vieira, a agremiação da Serrinha contou a história do capoeirista baiano Besouro Mangagá. Vieira, aliás, é o atual campeão do grupo: em 2020, ajudou a Imperatriz Leopoldinense a ser campeã e, assim, retornar esse ano ao Especial.

Na véspera, passaram pelo sambódromo outras sete escolas: Em Cima da Hora, Acadêmicos do Cubango, Unidos da Ponte, Porto da Pedra, União da Ilha do Governador, Unidos de Bangu e Acadêmicos do Sossego. A apuração da Série Ouro será na terça-feira (26).

Decisão judicial

Depois do acidente que imprensou uma menina de 11 anos entre um poste e um carro alegórico da Em Cima da Hora, no primeiro dia de apresentações da Série Ouro, uma decisão da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do Rio de Janeiro determinou a adoção de uma série de medidas de segurança.

A ação atende e pedido do Ministério Público estadual, que já havia feito recomendações de segurança para o evento. A menina precisou amputar uma perna e segue internada, em estado muito grave, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. A partir de agora, todas as escolas, sejam do Especial, dos grupos de acesso ou agremiações mirins, terão que fazer escolta das alegorias, para evitar acesso indevido.

A recomendação expedida em março pelo MP-RJ diz expressamente que deve haver presença de segurança na dispersão dos carros alegóricos. Recomendação semelhante já havia sido feita no desfile de 2019. Procurada, a Em Cima da Hora informou que acompanha os desdobramentos do assunto, mas que não vai se manifestar.

Responsável pela organização dos desfiles do Grupo Especial, que começam nesta sexta-feira (22), a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) informou ter sido notificada da decisão, a aprovou e disse que ela será prontamente atendida.

Grupo especial

A primeira escola a do Grupo Especial a desfilar nesta sexta-feira (22) será a Imperatriz Leopoldinense, às 22h. Serão seis escolas, que terão entre 60 e 70 minutos de exibição. Na sequência, entram Mangueira, Salgueiro, São Clemente e atual campeã, Unidos do Viradouro, de Niterói. A Beija-Flor, de Nilópolis, encerra a noite.

No sábado (23), feriado estadual de São Jorge, as apresentações começam no mesmo horário, com o Paraíso do Tuiuti, seguido de Portela, Mocidade Independente de Padre Miguel, Unidos da Tijuca, Grande Rio e Vila Isabel.

*Com informações de Felipe Brasil

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