Inep promete reaplicação do Enem a candidatos prejudicados por operação policial

De acordo com a Fundação Cesgranrio, medida pode beneficiar aproximadamente 500 estudantes do Complexo do Salgueiro

Moradores recolheram corpos de mangue no Complexo do Salgueiro, no Rio de Janeiro.
Moradores recolheram corpos de mangue no Complexo do Salgueiro, no Rio de Janeiro. MARCOS PORTO/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Stéfano Sallesda CNN

no Rio de Janeiro

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O Inep, organizador do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), informou e reaplicará a primeira prova aos candidatos que moram em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, e não tiveram condição de realizá-la no dia 21 (domingo), por causa da operação policial ocorrida no Complexo do Salgueiro. A ação, deflagrada após a morte de um policial militar, deixou um saldo de outros nove mortos, localizados no manguezal da comunidade.

A informação foi confirmada pelo Inep por meio de uma série de publicações feitas no Twitter na noite de domingo (28), após a conclusão do segundo e último dia de provas regulares do exame.

“Os inscritos no Enem 2021 que tiveram sua participação no exame afetada pela operação policial realizada no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no dia 21 de novembro, terão seus direitos garantidos e poderão solicitar a reaplicação da prova. O Inep analisará todas as solicitações individualmente. O pedido de reaplicação deverá ser feito na página do participante, entre os dias 29 de novembro e 3 de dezembro. As provas serão realizadas nos dias 9 e 16 de janeiro de 2022”, publicou o órgão.

As novas datas são as mesmas reservadas para aplicação dos testes aos candidatos beneficiados pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou reabertura de prazo para garantir a inscrição dos candidatos isentos em 2020, mas que não comparecem aos locais de prova em virtude de pandemia. Na mesma ocasião, também serão submetidos ao exame os candidatos inscritos que estão em condição de privação de liberdade (Enem PPL).

A prova perdida do dia 21 envolvia 9 questões objetivas: 45 de Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias, 45 de Ciências Humanas e suas Tecnologias, e uma redação dissertativa-argumentativa, que teve como tema “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”. A reaplicação da prova foi pedida pela Defensoria Pública da União (DPU) na quarta-feira (25). O órgão saiu em defesa dos estudantes que não tiveram condições de sair de casa em meio aos tiros.

De acordo com números da Fundação Cesgranrio, responsável pela aplicação do exame no estado, 501 dos 2.504 candidatos inscritos e direcionados aos seis locais de prova mais próximos do Complexo do Salgueiro não compareceram ao exame. A reaplicação para candidatos que enfrentaram problemas logísticos é uma possibilidade já oferecida pelo Inep em outras edições e prevista em edital.

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