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    Invasões no campo estão no ritmo mais alto em sete anos, diz CNA

    Número já praticamente iguala a quantidade de 2016, quando houve o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT)

    Militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante ação em Pernambuco
    Militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante ação em Pernambuco Divulgação/MST

    Daniel RittnerGustavo Uribe

    Cinquenta e seis invasões de propriedades rurais foram registradas no país somente de janeiro a abril, segundo levantamento inédito da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) obtido pela CNN.

    O número já supera as ocupações acumuladas nos últimos três anos e praticamente iguala a quantidade de 2016, quando houve o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

    Quase um terço dos casos ocorreu na Bahia, estado que tem o maior volume de famílias acampadas, segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O movimento calcula que cerca de 70 mil das 100 mil famílias nessa situação estão no Nordeste.

    O número de invasões no campo foi de 182 em 2015, 57 em 2016 e 40 em 2017. De 2018 a 2022, ficou entre 11 e 23 casos por ano. Depois da Bahia, os maiores registros são em Pernambuco e em São Paulo, conforme o balanço da CNA.

    Para o deputado Tenente-Coronel Zucco (Republicanos-RS), autor do requerimento de criação da CPI do MST e cotado para a presidência do colegiado, os números “mostram de forma concreta a escalada de invasões” no país.

    “Queremos fazer uma CPI extremamente responsável, mas demonstrando que esse movimento está cometendo verdadeiros crimes, usando a reforma agrária como cortina de fumaça”, afirma Zucco.

    O Ministério do Desenvolvimento Agrário refuta essa interpretação. Em entrevista à CNN, na segunda-feira (1º), o ministro Paulo Teixeira disse que a CPI “não tem fato determinado”.

    “Uma CPI não pode investigar uma instituição da sociedade civil sem irregularidades em relação a convênios com o governo. Nós estamos [no governo] há quatro meses. Não temos sequer convênios, quanto menos irregularidades”, ressaltou.

    De acordo com o ministro, um plano nacional de reforma agrária vai ser lançado ainda neste mês. Ele acrescentou que, com mediação do governo federal e o estabelecimento de mesas de negociações, não há mais ocupações em andamento e a jornada nacional de lutas do MST já acabou.

    A jornada, comumente chamada de Abril Vermelho pelos críticos do movimento, ocorre como instrumento de pressão pela reforma agrária e em memória do massacre de Eldorado de Carajás (PA).

    No episódio, em 17 de abril de 1996, 21 trabalhadores rurais foram assassinados pela Polícia Militar quando marchavam em direção a Belém com o objetivo de reivindicar a desapropriação de terras.

    Um dos primeiros focos de investigação da CPI, segundo relatos feitos à CNN por parlamentares da bancada ruralista, será identificar pessoas e lideranças que supostamente estavam presentes em ocupações ocorridas em diferentes localidades do país.

    Isso seria, na avaliação de deputados oposicionistas, um sinal de que as invasões seriam realizadas não por famílias acampadas, mas por ordens de uma suposta coordenação centralizada.

    O MST não reconhece os números da CNA e diz ter sido responsável por 18 ocupações até meados de abril. Nas redes sociais, o coordenador nacional do movimento, João Paulo Rodrigues, se manifestou recentemente.

    “Aos esquecidos e desinformados, nós, do @MST_Oficial, durante gov. de @jairbolsonaro, ocupamos 159 latifúndios, distribuímos 10 mil caminhões de alimentos e ficamos acampados por 580 dias em Vigília por Lula. Ou seja, faz parte da nossa prática ocupar terra e produzir alimento”, tuitou Rodrigues.