Investigação no Pará não se restringe ao superfaturamento, diz procurador

Galtiênio da Cruz Paulino explicou também que o processo de dispensa de licitação ocorreu após a contratação da empresa

Da CNN, em São Paulo

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A quarta-feira (10) começou com mais de 100 policiais federais indo para as ruas do Pará para realizar a Operação Para Bellum, que investiga fraudes na compra de respiradores para o combate ao coronavírus. A denúncia diz respeito a contratação de uma empresa por parte do governo do estado do Pará que seria comandada por um amigo pessoal do governador Helder Barbalho (MDB). O pedido de investigação foi feito pela Procuradoria-Geral da República. A CNN entrevistou Galtiênio da Cruz Paulino, procurador da República, para entender a operação realizada e o que se busca esclarecer com ela. 

“O caso do Pará não se restringe ao superfaturamento,” diz Galtiênio, que coloca a suposta amizade entre Barbalho e André Felipe de Oliveira da Silva, empresário da empresa SKN do Brasil, contratada para trazer os respiradores da China, como um agravante da investigação.

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“A contratação da empresa foi feita sem licitação por conta da lei de calamidade pública, porém o governador e o empresário mantêm amizade há mais de 10 anos. Outro problema foi o pagamento imediato após a contratação, além da empresa nunca ter atuado no ramo de importação de produtos hospitalares e nem tem autorização da Anvisa para atuar na área.”

O procurador também questionou a maneira como a dispensa da licitação foi feita, uma vez que segundo Galtiênio foi “feita a posteriori” da contratação. “Processo de dispensa de licitação foi irregular porque foi feito a posteriori para justificar uma compra milionária com pagamento antecipado.”

Ele ainda explica que os órgãos responsáveis estão analisando todas as compras feitas durante a pandemia, que dispensam licitações, e que tem informações de fraudes na compra de respiradores e de equipamentos de proteção individual em outros estados.

(Edição: André Rigue)

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