Justiça bloqueia R$ 3,5 bilhões em bens de executivos do Grupo Petrópolis
Acusação do MPF foi resultado da 62ª fase da operação Lava Jato

O juiz Luiz Antonio Bonat, da 13ª Vara Federal em Curitiba, bloqueou R$ 3,5 bilhões de sete executivos e pessoas ligadas ao Grupo Petrópolis, antiga Cervejaria Petrópolis, acusados de lavar dinheiro e operar propina para a Odebrecht.
A denúncia foi oferecida pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba em dezembro do ano passado. A acusação foi resultado da 62ª fase da operação, denominada "Rock City", deflagrada em julho de 2019, para apurar o envolvimento de executivos do Grupo Petrópolis na lavagem de dinheiro desviado pela Odebrecht de contratos com a Petrobras.
Segundo o Ministério Público Federal, a operação teve como origem um esquema de sonegação tributária "que contava com a burla de medidores de produção de cerveja". "A bebida era vendida a pequenos comerciantes em espécie e, então, os valores eram entregues à Odebrecht". De acordo com a acusação, o grupo denunciado movimentou mais de R$ 1,1 bilhão entre 2006 e 2014.
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As investigações apontam ainda a simulação de negócios jurídicos entre as duas empresas, o uso de um programa de regularização cambial para regularizar recursos obtidos de forma irregular e o uso de transferências de valores no exterior para a realização de doações eleitorais.
Em nota, a assessoria de imprensa do Grupo Petrópolis afirma que esse bloqueio foi determinado há quase um ano. "A defesa já recorreu da decisão, demonstrando que a medida é excessiva e desnecessária. Chama a atenção da empresa que o Ministério Público noticie um bloqueio antigo somente agora, quando o recurso está para ser julgado", afirma.