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    Justiça determina que Grupo Petrópolis volte ao comando de empresa de soja alvo de operação policial

    Gestores do Grupo Imcopa foram afastados do cargo após decisão judicial

    Fachada de unidade da Imcopa no Paraná
    Fachada de unidade da Imcopa no Paraná Imcopa/Divulgação

    Da CNN

    Em decisão proferida nesta sexta-feira (8), a Justiça do Paraná determinou que o Grupo Petrópolis, que atua no ramo cervejeiro, retorne ao comando do Grupo Imcopa, especializado na industrialização de soja, que foi alvo de uma operação da Polícia Civil, na última quinta-feira (7), para apurar condutas ilícitas dos executivos que estavam, até então, à frente da companhia, que está em recuperação judicial.

    A determinação é da juíza Mariana Gluszcynski Fowler Gusso, da 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba, após pedido realizado pelos representantes legais das empresas Minefer e Triana, pertencentes ao Grupo Petrópolis.

    Um dia antes, o Juízo Criminal havia decidido pelo afastamento de Fernando Lauria e Mauro Piacentini do comando da empresa.

    A magistrada defendeu que “com base na investigação policial trazida aos autos, é possível verificar a existência de indícios veementes de que os administradores do Grupo Imcopa tenham cometido crimes previstos na Lei Recuperacional”.

    De acordo com a investigação policial, os gestores afastados de seus cargos atuariam como “laranjas”, que teriam sido colocados na administração da Imcopa para ocultar a atuação de Renato Mazzuchelli e Ruy del Gaiso, agentes do mercado financeiro. Os dois são apontados como responsáveis por diversas fraudes e considerados estelionatários pela polícia.

    Na decisão mais recente da esfera cível, a juíza entende que os indícios revelados pela investigação criminal possuem “potencial de gerar ou agravar prejuízos a credores, inclusive tributários”.

    Com base nesses argumentos, a Justiça decidiu pela destituição dos administradores atuais do Grupo Imcopa e autorizou a nomeação das pessoas indicadas pelas empresas Minefer e Triana para administrarem o Grupo Imcopa.

    A nomeação pode ser feita sem a convocação de assembleia de credores, sob a justificativa de que as duas empresas do Grupo Petrópolis detêm quase a totalidade dos créditos sujeitos à Recuperação Judicial.

    “A Minefer e a Triana serão praticamente as únicas a votar na assembleia geral e, ainda que haja voto em contrário ao delas, não será suficiente para decidir ao contrário do que elas queiram”, concluiu a magistrada.

    CNN entrou em contato com a assessoria de imprensa do Grupo Imcopa e aguarda um posicionamento sobre a recente decisão.

    Em relação à operação deflagrada na quinta-feira, a empresa diz se tratar de “uma clara estratégia de intimidação, que será respondida pelos meios legais”.

    O comunicado diz ainda que “todas as empresas citadas e pessoas envolvidas no episódio sempre estiveram e permanecem à disposição da Justiça, com a qual vão colaborar para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”.

    Histórico de disputa judicial

    Há mais de uma década, duas fábricas sediadas no Paraná pertencentes ao grupo Imcopa foram arrendadas ao empresário Walter Faria, dono do Grupo Petrópolis, que atua no ramo cervejeiro e produz a cerveja Itaipava.

    A gestora R2C teria captado dinheiro de bancos e de Faria para comprar créditos da Imcopa. O empresário cervejeiro acusa Ruy e Renato de golpe.

    No mês passado, a Justiça chegou a afastar a diretoria da Imcopa em ação movida por Faria, vítima das fraudes apuradas na operação de hoje. Dias depois, uma decisão do Tribunal de Justiça do Paraná reconduziu a Nuevo Plan5 ao controle da companhia.