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    Justiça Militar de São Paulo absolve PM que pisou em pescoço de mulher negra

    Caso ocorreu em maio de 2020; Ministério Público afirmou que vai recorrer da decisão

    João Paulo Servato foi filmado pisando no pescoço de uma mulher negra em maio de 2020
    João Paulo Servato foi filmado pisando no pescoço de uma mulher negra em maio de 2020 Divulgação/ Justiça Militar do Estado de São Paulo

    Lucas SchroederCarolina Figueiredoda CNN

    em São Paulo

    Por três votos a dois, a Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJM-SP) absolveu na terça-feira (23) o policial militar João Paulo Servato, que era acusado por quatro crimes após ser filmado pisando no pescoço de uma mulher negra durante ocorrência em Paralheiros, zona sul da capital paulista, em maio de 2020.

    O juiz do caso, José Álvaro Marques, votou pela condenação de Servato. O Ministério Público afirmou que vai recorrer da decisão.

    Relembre o caso

    Uma mulher negra de 51 anos foi vítima da violência policial em São Paulo no final do mês de maio de 2020. A mulher foi agredida em frente ao estabelecimento que trabalhava em Parelheiros, bairro localizado no extremo sul da capital paulista.

    As imagens registraram um policial militar pisando no pescoço da vítima, deixando-a sem reação. De acordo com testemunhas e com a própria vítima, a abordagem policial teria começado após um veículo estacionar na porta do estabelecimento com o som alto, incomodando vizinhos, que, em seguida, chamaram a polícia.

    Ao chegar ao local, a polícia teria agredido o amigo da vítima – momento também registrado no vídeo. A mulher teria tentado interferir na abordagem e acabou agredida pelos policiais. Ainda de acordo com testemunhas, a vítima teria sido arrastada pelos agentes e desmaiado diversas vezes. A mulher foi levada ao hospital e após cirurgia na perna, levou 16 pontos no local.

    Em entrevista à CNN (veja acima), o advogado da vítima, Felipe Morandini, disse que o episódio gerou traumas físicos e psicológicos. “Ela sofreu uma fratura na tíbia durante essa ação e até hoje precisa fazer tratamentos para recuperação da cirurgia e com muito medo de retaliação. Tanto que a única entrevista que concedeu foi sem revelar sua identidade”, explicou.

    “Quando ela viu que os policiais estavam agredindo um dos conhecidos dela, ela tentou conversar com os policiais, dizendo que não precisava daquilo. Segundo ela, este rapaz estava quase desmaiado e naquele momento ela passou a ser agredida”, relembrou.

    Questionado se houve algum aspecto racial sendo mencionado pela vítima, o advogado explicou.”A minha cliente não chegou a relatar questão racial, mas ao mesmo tempo, é uma situação que parece meio óbvia. Nós estamos tratando de mais um caso de violência policial visando a população negra em uma região periférica”, completou.