Locadoras têm queda de 80% com redução de demanda por motoristas de aplicativos

Motorista afetado pela crise gerada pelo coronavírus enviou vídeo à CNN parta falar sobre o assunto

Bruno Oliveira e Carla Bridi

Da CNN, em São Paulo

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Com os efeitos do coronavírus, o número de carros alugados teve redução de até 80%, de acordo com a Federação dos Motoristas por Aplicativo do Brasil. A queda se deve, justamente, à baixa procura por parte de motoristas que usam carros alugados para trabalhar com essas ferramentas.

Em relato enviado à CNN, um motorista afetado pela crise falou sobre o assunto. “A gente tinha meta x para bater por dia e não estamos conseguindo bater nem 10% na atual situação”, disse ele. “Nós que temos carro financiado ou de aluguel, temos que devolver, porque não temos condição de pagar”, completou.

À CNN, uma locadora que abriu as portas especialmente para receber os profissionais dessa categoria informou que precisaram dobrar o número de pátios para poder guardar todos os veículos que estão sendo devolvidos por conta da crise. Além disso, foram zerados os contratos novos e foi feito um pacote que cobra um valor semanal abaixo da média, para que os motoristas continuem com o carro.

Ainda conforme dados da federação, há mais de 1 milhão de motoristas afetados em todo o país. Já a Associação dos Motoristas por Aplicativo do Estado de São Paulo (Amasp) diz que, desde o início da quarentena, o intervalo médio entre uma corrida e outra está sendo de quatro horas de espera. Além disso, cerca de 90% dos motoristas devolveram os veículos para os pátios das locadoras. 

Demora de 4 horas por corrida

Há 10 dias São Paulo vive uma realidade atípica para a cidade que se tornou conhecida como a que não para, a que não dorme. Desde que começou a valer a quarentena decretada pelo governador João Doria (24/03), o que se vê são comércios fechados, famílias em casa e ruas vazias. 

Entre os setores afetados pela medida estão os motoristas de transporte por aplicativo, que de acordo com a Amasp, são cerca de 140 mil só na capital paulista. 

De acordo com Eduardo Lima de Souza, presidente da entidade, antes da quarentena os motoristas faziam entre 25 a 30 corridas por dia. Com o isolamento, o número caiu para duas a três. “A situação está catastrófica. O intervalo médio entre uma corrida e outra está sendo de 4 horas. É muito difícil trabalhar assim”, contou.

Ainda segundo Souza, cerca de 90% dos motoristas por aplicativo que trabalham com carro alugado em SP já devolveram os veículos. Uma das locadoras que sentiu o impacto foi a Kovi. A empresa informou que depois da quarentena não fez novos aluguéis.

“Nas últimas duas semanas houve uma queda muito grande no número de devoluções de veículos. Nosso faturamento caiu cerca de 80%. Tínhamos dois pátios para guardar os carros. Agora, por causa das devoluções, estamos com quatro”, disse Adhemar Milani Neto, presidente da empresa.

Tendo como parâmetro o mercado chinês, o empresário acredita que mesmo depois do fim da quarentena a situação no Brasil vai demorar de cinco a seis semanas para normalizar.  

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