Mais de 10 mil espécies correm risco de extinção na Amazônia, diz relatório

Segundo o relatório, o solo e a vegetação da Amazônia guardam 200 bilhões de toneladas de carbono, mais de cinco vezes todas as emissões anuais de gás carbônico

Fumaça de incêndio na Floresta Amazônica perto de Porto Velho (10.set.2019)
Fumaça de incêndio na Floresta Amazônica perto de Porto Velho (10.set.2019) Foto: Bruno Kelly/Reuters

Stephen Eisenhammer e Oliver Griffin

Da Reuters, em São Paulo e Bogotá

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Mais de 10 mil espécies de plantas e animais correm o risco de extinção devido à destruição da floresta amazônica – 35% da qual já foi desmatada ou degradada, segundo esboço de um relatório científico divulgado nesta quarta-feira (14).

Produzido pelo Painel Científico para a Amazônia (SPA, sigla em inglês), o relatório de 33 capítulos reúne pesquisas sobre a maior floresta tropical do mundo de 200 cientistas ao redor do globo. É a avaliação mais detalhada do estado da floresta até agora e deixa claro tanto o papel vital da Amazônia ao clima do mundo quanto o profundo risco que está sofrendo.

Reduzir o desmatamento e a degradação da floresta a zero em menos de uma década é crucial, disse o relatório, que também pede por um grande reflorestamento em áreas já destruídas.

 

A floresta tropical é um baluarte vital contra as mudanças climáticas pelo carbono que absorve e pelo que armazena.

Segundo o relatório, o solo e a vegetação da Amazônia guardam 200 bilhões de toneladas de carbono, mais de cinco vezes todas as emissões anuais de CO2 do mundo.

Além disso, a contínua destruição causada pela interferência humana na Amazônia coloca mais de 8.000 plantas endêmicas e 2.300 animais em alto risco de extinção, acrescentou o relatório.

A ciência mostra que os humanos enfrentam riscos potencialmente irreversíveis e catastróficos devido a múltiplas crises, como as mudanças climáticas e o declínio da biodiversidade, afirmou a professora da Universidade de Brasília Mercedes Bustamante, durante uma discussão virtual do painel.

“Há uma pequena janela de oportunidade para mudar essa trajetória”, afirmou Bustamante. “O destino da Amazônia é central à solução das crises globais”.

No Brasil, o desmatamento cresceu desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o cargo em 2019, chegando à maior taxa em 12 anos no ano passado e gerando críticas internacionais de governos estrangeiros.

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