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    Mais de 40 refugiados afegãos aguardam acolhida no Aeroporto de Guarulhos

    Os refugiados estão morando no saguão do aeroporto, ao lado do Serviço ao Imigrante, em barracas e colchões improvisados pelos corredores

    Barracas de refugiados no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
    Barracas de refugiados no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Jairo Nascimento/CNN

    Bruno LaforéCarolina FigueiredoJairo Nascimentoda CNN

    São Paulo

    Nos últimos meses, o volume de imigrantes que chegaram ao Brasil tem sido maior do que a capacidade de atendimento. A situação tornou o Aeroporto Internacional de Guarulhos em uma espécie de acampamento para os novos grupos. Atualmente, 47 afegãos se abrigam no aeroporto, em São Paulo.

    Prefeitura e governo estadual prometem inaugurar uma casa de acolhida, enquanto os imigrantes esperam por documentos e doações.

    Os refugiados estão morando no saguão do aeroporto, ao lado do Serviço ao Imigrante. Há barracas e colchões improvisados pelos corredores. São afegãos de diversas etnias.

    Najeebullah Habibi é jornalista e deixou o país após a mudança do regime. Ele é defensor da participação das mulheres na sociedade e, por isso, foi perseguido e agredido.

    Já Rana Najeeb, que também é jornalista, veio para o Brasil com 4 crianças e está há 20 dias aguardando um abrigo enquanto sonha com visto para permanecer no Brasil. Rana tem medo de voltar ao Afeganistão.

    Roupas de refugiados em saguão do aeroporto. Jairo Nascimento/CNN

    Ambos tiveram um caminho difícil até o Brasil, fugindo por terra até o Paquistão para, depois, vender todos os pertences e conseguir algum voo para o ocidente. Assim, ambos chegaram ao Brasil.

    O Ministério da Justiça divulgou que visitou o local em uma missão de fluxo migratório e tem conversado com as prefeituras de Guarulhos, São Paulo e com o governo estadual. Vários refugiados foram acolhidos em abrigos da capital.

    Por nota, o Ministério diz que “serão visitados diversos abrigos municipais e estaduais. A equipe está sendo acompanhada pelo escritório do ACNUR [Agência da ONU para Refugiados] na cidade de São Paulo. A situação no aeroporto está estabilizada, sendo que aproximadamente 20 pessoas aguardam vagas em abrigos.”

    O governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, explicou que o processo migratório é de responsabilidade do governo federal e que, em parceria com a prefeitura de Guarulhos, vai inaugurar, em fevereiro, uma Casa de Passagem com capacidade para 50 pessoas.

    Já a Secretaria Estadual de Justiça afirma que atendeu 365 famílias em 850 atendimentos para emissão de documentação, auxílio com processos de pedido de refúgio e regularização de emigração, roupas e kits de higiene.

    A prefeitura de Guarulhos confirmou que visitou o aeroporto, mas não tem ações nem prazos previstos.

    Eram 38 refugiados até o de terça-feira (31), de acordo com a administração municipal. Antes, 14 pessoas foram encaminhadas para um abrigo na zona leste da capital no dia 27 de janeiro, porém retornaram para o aeroporto no último sábado. Porém, o grupo Coletivo Frente Afegã, que acompanha os refugiados no aeroporto, são 47 pessoas no momento.

    Jairo Nascimento/CNN

    O número varia conforme a chegada de novos refugiados em voos vindos principalmente do Oriente Médio e da Europa.

    Segundo o Coletivo, os refugiados precisam de doação de alimentos, roupas e cobertores que possam ser lavados. Como não há local para a manutenção da limpeza, muitas doações não podem ser reutilizadas.

    O Instagram @coletivofrenteafega é o canal para o recolhimento de donativos.

    Em outubro de 2022, o número de refugiados chegou a 120. Todos chegaram após a retomada do governo no Afeganistão pelo grupo extremista Talibã após a saída do exército americano. À época, vários imigrantes receberam vistos humanitários durante a operação de acolhida emergencial.

    A CNN aguarda a manifestação da Polícia Federal.