Marcelo Odebrecht tem R$ 143 milhões bloqueados pela Justiça

O valor, segundo a empreiteira brasileira, foi exigido pelo empresário em troca de um acordo de colaboração

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A Justiça de São Paulo bloqueou R$ 143 milhões das contas do empresário Marcelo Odebrecht. O valor, segundo a empreiteira brasileira, foi exigido por ele em troca de um acordo de colaboração. O grupo decidiu, então, apresentar uma ação oficial contra seu ex-presidente, a mulher e a filha dele.

A decisão, em caráter liminar, foi proferida na terça-feira (2) pelo juiz Eduardo Pellegrinelli, da 2ª Vara Empresarial de São Paulo. 

Duas semanas antes do fechamento do contrato de leniência da Odebrecht e do acordo com os 77 delatores, em 2016, Marcelo exigiu, de acordo com a empresa, o recebimento dos R$ 143 milhões como contrapartida. Metade do valor foi paga à vista e a outra, depositada em um plano de previdência em nome da mulher e das três filhas do empresário.

O contrato assinado entre Marcelo e a Odebrecht prevê arbitragem para resolução do conflito, mas a ação foi proposta pelo grupo com o objetivo de proteger os ativos da empresa, de acordo com a companhia. Na decisão, o juiz considerou, com base em mensagens do próprio empresário – anexadas ao processo -, o risco de uma “tentativa de blindagem” dos valores por parte do seu ex-presidente.

Os dois lados estão em guerra pelo controle do grupo. Até o fim de 2019, Marcelo – fora do comando do grupo desde 2015, quando foi condenado pela Operação Lava Jato -, ainda recebia salário e benefícios da empresa. Mas acabou sendo demitido por justa causa a pedido do próprio pai, Emílio. 

Marcelo havia criticado, em carta, os atuais executivos pela forma com a qual o grupo, em recuperação judicial, estava sendo conduzido e colocava-se à disposição da família para voltar ao comando.

Investigação interna

A Odebrecht abriu investigação interna para identificar eventuais delitos cometidos por Marcelo. O processo ainda não foi concluído, mas a empresa diz ter encontrado elementos contra o seu ex-presidente. 

Entre os indícios apontados, o juiz citou mensagens que indicariam chantagem de Marcelo contra atuais e ex-executivos do grupo. “Acabarei detonando a todos”, diz o empresário em uma delas. Procurado, Marcelo não retornou o pedido de entrevista.

Com dívidas de R$ 98,5 bilhões, o grupo deverá realizar, no dia 18 de março, uma assembleia com os credores para tentar aprovar seu plano de recuperação judicial. Entre eles, estão Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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