Mercados digerem desempenho de big techs; combustíveis são foco no Brasil

Só ontem, a dona do Facebook perdeu mais de US$ 220 bilhões em valor de mercado; balanço forte da Amazon impulsiona índices

Priscila Yazbekda CNN

Em São Paulo

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Os mercados seguem monitorando nesta sexta-feira (4) o desempenho das big techs. No cenário doméstico, o foco são os combustíveis.

Começando pelo exterior, os futuros americanos operam perto da estabilidade, tentando se recuperar dos tombos de quinta-feira (3).

Dados decepcionantes do Facebook derrubaram os índices, com analistas dizendo que a queda de 26% das ações da Meta trouxe lembranças da bolha da internet dos anos 2000. Só ontem, a dona do Facebook perdeu mais de US$ 220 bilhões em valor de mercado.

O balanço forte da Amazon está impulsionando índices. As ações da gigante varejista dispararam 17% após os resultados mostrarem que a empresa dobrou o lucro e anunciou reajuste de preços do serviço prime nos EUA.

Além da Amazon, ações do Pinterest subiram mais de 20% e do Snapchat cerca de 59%, depois dos balanços que superaram as expectativas.

Hoje as atenções também se voltam aos dados de emprego nos Estados Unidos de janeiro, que saem às 10h30. A expectativa do mercado é de criação de 150 mil vagas de trabalho.

Na Europa, o destaque é a mudança de tom do Banco Central Europeu (BCE), que manteve as taxas básicas de juros, mas sinalizou que pode encerrar o programa de compra de ativos mais cedo, no terceiro trimestre, em vez do quarto.

Na coletiva, a presidente do BCE, Christine Lagarde, também disse que não descartar altas de juros neste ano. As bolsas caem pela manhã diante da perspectiva de juros mais altos e menos estímulos.

Vendas mais fracas do que o esperado no varejo na zona do euro também ajudam na queda.

Na Ásia, bolsas fecharam majoritariamente em alta. Hong Kong subiu mais de 3,0%, puxado por bancos, como HSBC. Na China, bolsas seguem fechadas devido ao feriado.

Brasil

No Brasil, a discussão sobre combustíveis é o grande destaque. Membros do Centrão se articularam para apresentar uma PEC que permite isentar tributos federais e estaduais sobre todos os combustíveis.

O analista da CNN Gustavo Uribe apurou com lideranças políticas que a estratégia é usar essa PEC ampla para pressionar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) a avançar com o projeto do ICMS, que está travado no Senado.

Enquanto os combustíveis ficam nesse vai e vem, Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), avalia que a pressão por mudança na política de preços da Petrobras sobe. Ontem, a estatal bateu meta de endividamento bruto de US$ 60 bilhões, que ativa sua nova política de dividendos.

A própria Petrobras diz que vê potencial para pagar dividendos muito maiores. Segundo Adriano, isso reforça a pressão sobre a política de paridade internacional.

O Ibovespa Futuro operava próximo da estabilidade nesta manhã, em queda de 0,03%, a 111.865 pontos, com o dólar caindo 0,14%, a R$ 5,28. O S&P 500 Futuro cai 0,08%, a 4.474 pontos.

Agenda do Dia

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulga a produção de veículos de janeiro de 2022, às 10h.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, vão se reunir nesta sexta-feira, entre 10h e 10h30, no Palácio do Planalto.

Nos Estados Unidos, saem os dados de emprego do payroll, às 10h30.

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