Mercados monitoram escalada de tensão na Ucrânia; commodities são destaque no Brasil

Bolsas ao redor mundo tiveram queda após o presidente Russo reconhecer a independência de duas regiões separatistas da Ucrânia

Priscila Yazbekda CNN

Em São Paulo

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Os mercados globais operam nesta terça-feira (22) de olho na escalada da tensão na Ucrânia. No cenário doméstico, o destaque é para o Índice de Confiança do Consumidor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), que teve o melhor resultado em seis meses.

Começando pelo exterior, os futuros americanos operam com volatilidade, mas perto da normalidade após o presidente russo, Vladimir Putin, deixar o mundo em alerta ontem.

Primeiro, Putin reconheceu a independência de duas regiões da Ucrânia, Luhansk e Donetsk, que já eram controladas por separatistas pró-Rússia. Horas depois, Putin enviou tropas para as duas regiões, dizendo que o objetivo era pacificar as áreas.

Militares ucranianos dizem que dois soldados foram mortos por disparos de separatistas pró-Rússia nas últimas 24 horas.

Na esteira da decisão de Putin, países do ocidente começaram a anunciar sanções econômicas contra a Rússia, que devem se estender ao longo do dia. Uma das principais ameaças seria banir a Rússia do sistema financeiro de pagamentos globais.

Mas, para especialistas os impactos seriam limitados, já que a Rússia fez um grande esforço para se tornar autossuficiente nos últimos anos e hoje tem mais de US$ 600 bilhões em reservas internacionais.

Na Europa, os índices também estão voláteis, mas as bolsas sobem. O euro Stoxx chegou a cair ao menor nível em sete meses. Ontem, a bolsa de Moscou caiu 10,5%, a maior baixa desde 2014, quando russos tomaram o controle da península da Crimeia. Hoje, segue caindo, com perda de quase 5%.

Analistas avaliam que se tratando de Rússia, é difícil saber se o mercado está exagerando na reação. Nicolas Borsoi, da Nova Futura, resume que foi ativada no mercado a dinâmica de “venda primeiro, pergunte depois”.

Aversão ao risco fez investidores saírem de ações e buscar commodities e metais. Grãos e petróleo subiram forte. O barril do tipo brent chegou a bater os US$ 99, o maior nível desde setembro de 2014.

Na Ásia, as bolsas fecharam em queda refletindo Nova York e com novas ameaças de intervenção do governo chinês em tecnologia.

Brasil

Vindo para o Brasil, o Ibovespa não resistiu à aversão ao risco no exterior e caiu ontem. Porém, o fluxo estrangeiro para ações de commodities pode levar a bolsa a descolar do exterior hoje.

Já o dólar caiu ao menor nível em quase sete meses, com investidores entrando no país em busca dos altos juros. A revisão para cima do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do boletim Focus e a fala de Roberto Campos Neto de que a tendência de inflação é crescente colaboram para expectativa de alta de juros.

Entre empresas, a Eletrobras realiza assembleia sobre proposta de privatização, às 14h. O ministro da economia, Paulo Guedes, falou em entrevista ontem que a privatização não deve sair no primeiro semestre.

Índices

O Ibovespa futuro sobia 0,93% nesta manhã, impulsionado pelas commodities. O dólar cai 0,59% aos R$ 5,07 e o S&P futuro tem leve queda de 0,10%.

Agenda do dia

Saiu o dado de confiança do consumidor da FGV, que subiu para 77 pontos, máxima em 6 meses. Paulo Guedes participa de evento online às 9h e Campos Neto às 15h. A temporada de balanços segue com 3R Petroleum, BRF, Nubank, Raia Drogasil e Vivo.

Lá fora, nos Estados Unidos tem dados de vendas de imóveis, PMI – o índice de gerentes de compras -, confiança do consumidor pela manhã, e discursos de membros do FED – o banco central americano – depois das 17h.

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