Mercados seguem de olho em tensão na Ucrânia; ata do Copom é destaque no Brasil
Analistas avaliam que o mercado americano depende de uma solução diplomática na Ucrânia para engatar uma recuperação
Os mercados globais seguem de olho no conflito entre Rússia e Ucrânia na manhã desta terça-feira (8). No cenário doméstico, o foco é a ata do Comitê de Política Monetária (Copom).
Começando pelo exterior, os futuros americanos operam em leve queda. Na próxima quinta-feira (10) será divulgada a inflação ao consumidor nos Estados Unidos.
Com a expectativa de que a inflação suba para o maior nível em quatro décadas, investidores precificam juros maiores, com a taxa dos títulos públicos de dez anos em 1,9%.
Analistas avaliam que o mercado americano depende de uma solução diplomática na Ucrânia para engatar uma recuperação.
Europa
Na Europa, as bolsas operam mistas, entre a cautela com dados de inflação americanos e os balanços fortes de empresas. Puxada pela alta do petróleo, a British Petroleum registrou o maior lucro desde 2013.
Ontem, Vladimir Putin e Emmanuel Macron se encontraram para discutir a crise no Leste Europeu. O presidente francês afirmou que houve "pontos de convergência", mas o presidente russo deixou claro que a Europa vai entrar em um conflito armado se a Ucrânia entrar na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Macron e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky se encontram agora de manhã.
Ásia
Ná Ásia, as bolsas também fecharam mistas. Na China, caíram depois que os EUA incluíram 33 empresas chinesas com restrições a exportações.
Destaque também para o colapso da venda da ARM para a VIDIA, que seria a maior negociação de fabricantes de chips da história. Depois do fracasso, o Softbank, controlador da ARM, disse que deve fazer o IPO da ARM em março.
Brasil
Vindo para o Brasil, o destaque do dia é a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a decisão de elevar a taxa básica de juros - a Selic - em 1,5 p.p. para 10,75%.
Entre os principais pontos, o Banco Central (BC) disse que políticas para reduzir preços podem gerar mais inflação, numa clara alusão à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos combustíveis.
Com o Brasil voltando a ser o maior pagador de juros reais do mundo, o fluxo estrangeiro vem sustentando queda do dólar, que caiu ontem para R$ 5,25, menor nível em 5 meses. A rotação para commodities sustenta a bolsa, apesar dos riscos fiscais.
Com lideranças partidárias sinalizando que alguma medida para conter a alta dos combustíveis deve sair, já que é ano de eleição, analistas alertam que os riscos de descontrole de gastos devem pesar sobre a bolsa mais cedo ou mais tarde, além de dizerem que a reação só não é pior no momento por conta do fluxo estrangeiro.
Além da ata do Copom, a FGV divulgou o IPC-S, que repetiu alta de 0,49% em janeiro.
O Ibovespa Futuro operava próximo da estabilidade nesta manhã, em queda de 0,03%, a 111.865 pontos, com o dólar caindo 0,14%, a R$ 5,28. O S&P 500 Futuro cai 0,08%, a 4.474 pontos.
Agenda do Dia
Hoje estão previstos o balanço do Bradesco e da XP, após o fechamento da bolsa. Lá fora, nos EUA, deve ser divulgada pela manhã a balança comercial e estoques de petróleo da API à tarde.
Entre os balanços, destaque para a Pfizer, que cai 4% com previsões sobre vacinas e medicamentos abaixo das estimativas do mercado.