Mesmo com maior registro de casos de dengue, Minas Gerais tem desaceleração em epidemia da doença

Ao total, o estado mineiro registrou mais de 130 mortes da doença neste ano

Duda Cambraia, da CNN, Julia Farias, da CNN*
Compartilhar matéria

Mesmo com o maior registro de casos de dengue no país, Minas Gerais apresentou uma desaceleração na epidemia da doença, segundo Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, em coletiva do ministério nesta quarta-feira (27).

Além do estado, Espírito Santo também passou a registrar desaceleração nos casos da doença. Já na cidade de São Paulo, a secretária conclui que ainda é necessária a análise de mais uma semana para compreender se o estado alcançou ou não o pico da doença.

Além disso, Ethel Marcial afirmou que a região Centro-Oeste do país, com exceção do Mato Grosso do Sul, todos os estados se encontram em situação de desaceleração e seguem sentido de decréscimo.

Minas Gerais tem 765.190 casos de dengue esse ano, e mais de 130 mortes.

Na coletiva, que tratava da atualização do cenário epidemiológico da dengue no país, a secretária ainda afirmou que os dados obtidos em relação aos casos de dengue e de doenças de notificação compulsória no país são gerados em municípios e estados. Assim, o Ministério da Saúde não é capaz de gerar dados, mas sim analisá-los e compreender os padrões que são expostos à população.

Diante dessa metodologia, Maciel confirma que o Brasil tem diferentes padrões da doença, onde existem estados que já se encontram em decréscimo de casos, enquanto outros ainda estão no estágio inicial de casos da doença.

_“Temos diferentes padrões. O que analisamos até agora: do início dos casos até o pico, tem demorado em média 8 semanas. Quando os estados começam a ter um aumento de casos, eles demoram até 8 semanas, alguns menos.”, disse a secretária, em coletiva.

Redistribuição da vacina ainda é pauta

A pasta ainda afirma que de acordo com análises atualizadas com relação à vacinação da doença, foi possível ampliar a distribuição de doses em determinados municípios que não estavam na primeira lista, após algumas doações.

Assim, o país registrou um percentual de letalidade 3,99% da dengue neste ano, número esse 1,29% menor do que quando comparado ao ano de 2023.

Até esta quarta-feira (27), onze estados e 407 municípios decretaram situação de emergência por conta da dengue, o que representa um número superior quando comparado à semana anterior deste mês. São eles: Amapá, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Durante sua fala, Ethel Maciel pontuou que o país foi certificado como Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde para respostas em emergências em saúde pública, o que representa ganho muito significativo do Brasil.

Eder Gatti, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunização, também se pronunciou durante a coletiva nesta manhã, e afirmou que cerca de 670 mil doses da vacina vão vencer até o dia 30 de abril.

”Parte delas ainda não foi aplicada. Não podemos deixar essas vacinas vencerem. Por isso, faremos uma redistribuição dentro dos estados para municípios não contemplados. Distrito Federal e Mato Grosso do Sul não têm municípios internos para remanejar as doses. Vamos concentrar as doses perto do vencimento desses estados e enviar para o Amapá.”

Por fim, o diretor destacou que o país já recebeu 930 mil doses que foram compradas e que estas serão enviadas para cerca de 154 municípios brasileiros. Essas cidades, por sua vez, irão redistribuir as doses para outros municípios que seguem com o sistema de vacinação contínua.