Mortes de aposentados disparam com agravamento da Covid e afetam renda familiar

Desde maio do ano passado que as mortes de aposentados no Brasil passaram a subir num patamar bem superior ao verificado entre 2018 e 2019

Fernando Molicada CNN

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Desde maio do ano passado que as mortes de aposentados no Brasil passaram a subir num patamar bem superior ao verificado entre 2018 e 2019. O crescimento coincide com um aumento das vítimas de Covid-19 no país.

Em janeiro de 2021, o número de mortes de aposentados pelo INSS foi de 61.748, 31,01% a mais que os 47.131 registrados no mesmo mês do ano passado. Em fevereiro passado, o  aumento foi de 21,8% (52.952 mortos contra 43.443 no mesmo mês de 2020).

Essas mortes também têm impacto na renda familiar – estudo da economista Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostrou que em 20,6% dos lares brasileiros a renda dos idosos representa mais da metade dos rendimentos familiares. Segundo ela, se todos esses idosos morressem, o rendimento médio por pessoa nessas casas cairia de R$ 1.621,80 para R$ 425,50, redução de quase 75%.

O também economista Marcelo Neri, diretor do FGV Social, da Fundação Getúlio Vargas, ressalta que pessoas com mais de 60 anos são 16,7% dos brasileiros, mas eles estão presentes em 30,1% dos domicílios. Ele também enfatiza a importância do rendimento desses idosos, principalmente no Nordeste.

Idosos fizeram fila e aglomeração com medo de faltar vacina
Idosos fizeram fila e aglomeração com medo de faltar vacina
Foto: CNN

 

Dados do INSS obtidos e analisados pela CNN mostram que, ao longo de 2019, as mortes de aposentados cresceram entre 2,37% e 9,76% em comparação com os mesmos meses de 2018. Os percentuais de aumento mantiveram uma certa estabilidade nos quatro primeiros meses de 2020 em relação a 2019.

Em maio de 2020, porém, esses óbitos aumentaram 26,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A partir daí, o crescimento foi sempre superior a 10% ao mês – chegou a 17,75% em agosto,16,77% em dezembro e a 16,48% em junho. 

O INSS afirmou que não tem como dizer se o aumento de mortes está relacionado a casos de Covid-19.

No estudo em que, em julho passado, projetou o impacto da Covid-19 na renda dos brasileiros, a economista do Ipea frisou que 73,8% das mortes pelo novo coronavírus ocorriam entre pessoas com 60 anos ou mais.

Ana Amélia citou que, levando-se em conta os padrões de 2018, uma pessoa com 70 anos viveria mais 12,8 anos – ou seja, a mortalidade pela Covid poderia ser considerada como precoce. Ela lembrou que 18,1% dos domicílios brasileiros contavam apenas com a renda dos idosos.

Para Neri, a morte precoce desses idosos representa “a pior forma de reforma da Previdência”.

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