MP denuncia PM e ex-PM por morte de jovem na zona sul de São Paulo

Guilherme Silva Guedes foi sequestrado e assassinado com dois tiros na cabeça na madrugada do dia 14 de junho, na Vila Clara, zona sul de São Paulo

Amigos e familiares protestam após morte de Guilherme Silva Guedes
Amigos e familiares protestam após morte de Guilherme Silva Guedes Foto: Alice Vergueiro - 21.jun.2020/Estadão Conteúdo

Carolina Figueiredo,

da CNN, em São Paulo*

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O Ministério Público de São Paulo denunciou, nesta sexta-feira (14), o policial militar Adriano Fernandes de Campos e o ex-policial militar Gilberto Eric Rodrigues pela morte do adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos. Guilherme foi assassinado na madrugada do dia 14 de junho, após ser levado pelos acusados no bairro da Vila Clara, na zona sul de São Paulo.

Um dos acusados é sargento da Polícia Militar e o outro foi expulso da corporação após fugir da prisão em 2015 por outro crime. Na época da morte do adolescente, moradores do bairro fizeram protestos pedindo Justiça. 

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Segundo denúncia apresentada pelo promotor Neudival Mascarenhas Filho, na noite do dia 13 de junho alguns jovens entraram no canteiro de obras da empresa Globalsan Saneamento e Construções. O PM Campos, responsável pela empresa de segurança Campos Fortes Portarias, contratada pela Globalsan, teria então chamado o ex-PM Rodrigues, foragido do presídio Romão Gomes, e os dois saíram andando pelo bairro para procurar os jovens que teriam entrado no canteiro de obras da empresa.

Os homens abordaram então Guilherme, que morava nas imediações do canteiro de obras. Ele foi dominado e levado à uma travessa, onde foi morto a tiros. De acordo com o MP, o jovem havia saído de casa pouco tempo antes de ser abordado e não tinha nenhuma relação com a invasão da obra. 

“O crime foi cometido por motivo torpe, pois agiram os denunciados para se vingar dos invasores, sequestrando e matando o primeiro garoto que viram pela frente, para que servisse de exemplo”, diz o promotor na denúncia.

O sargento Campos foi indiciado por homicídio qualificado e está preso preventivamente, já o ex-policial militar Gilberto Eric Rodrigues ainda está foragido. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o caso está sob sigilo e segue em investigação pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A Corregedoria da Polícia Militar também acompanha as investigações.

Uma comissão composta por familiares da vítima e por integrantes da Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio foi recebida nesta sexta (14/08) pelo promotor e pelo secretário especial de Políticas Criminais Arthur Lemos Júnior. A entidade protocolou um documento pedindo que as empresas onde os acusados trabalhavam sejam responsabilizadas pelo crime.

* Com supervisão Evelyne Lorenzetti

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