MPF aciona Ibama e secretaria do Pará sobre água escura em Alter do Chão

Águas do “Caribe amazônico” estão turvas e há possibilidade de impactos serem decorrentes de atividades exploratórias do solo na região, avaliam especialistas

Mudança na cor das águas de Alter do Chão, no Pará, preocupa especialistas e autoridades locais
Mudança na cor das águas de Alter do Chão, no Pará, preocupa especialistas e autoridades locais Reprodução/CNN Brasil (20.jan.2022)

Giovanna GalvaniJulyanne Jucáda CNN

em São Paulo

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O Ministério Público Federal (MPF) do Pará enviou pedidos de informação ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e à Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará acerca do escurecimento observado nas águas de Alter do Chão, balneário turístico da região de Santarém (PA).

As águas da região conhecida como “Caribe amazônico” não estão translúcidas como de costume, e especialistas apontam possíveis impactos decorrentes da atividade de mineração ilegal, desmatamento e queimadas – cujos sedimentos são arrastados pelas chuvas ao longo dos rios da Bacia do Tapajós.

Em nota, o MPF afirmou que enviou, ainda, uma solicitação à Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) para saber se há “estudos sobre a turbidez das águas e sobre casos de contaminação por mercúrio na população humana e animal da região”.

Na quinta-feira (20), o MPF enviou uma manifestação à Justiça Federal questionando um possível descumprimento de sentença por parte da administração pública do balneário, que deveria realizar “exames de balneabilidade periódicos na região das praias do distrito de Alter do Chão”.

“Em ação ajuizada em 2019 para pedir à Justiça providências contra a completa precariedade no controle da cadeia econômica do ouro no país, o MPF alertou que só em quantidade de sedimentos lançados nas águas do Tapajós, por exemplo, a mineração ilegal de ouro despeja sete milhões de toneladas por ano, de acordo com laudo elaborado pela Polícia Federal (PF) e pela Ufopa”, afirma o MPF.

A instituição também irá “convidar pesquisadores, órgãos e entidades públicos e a sociedade civil organizada para discutir as medidas de contenção do avanço da poluição no leito do rio Tapajós”, complementou o órgão.

Impacto “em escala global”

Em entrevista à CNN na quinta-feira, o pesquisador Tommaso Giarrizzo, coordenador do Grupo de Ecologia Aquática da Universidade Federal do Pará (UFPA), avaliou que a água “barrenta” pode ser resultado de “um efeito cumulativo de impactos que estão ocorrendo” na região.

“Não adianta se preocupar em garantir qualidade ambiental em Santarém se os municípios e estados que drenam o rio não têm uma gestão ambiental. Essa água chega também no oceano. Os efeitos vão sendo diluídos e dispersos em uma escala geográfica que não é nem nacional, é realmente global”, disse.

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