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    MPRJ pede para que acusados pela morte do menino João Pedro sejam levados a júri popular

    Três policiais civis são acusados pela morte do adolescente, de 14 anos, em 2020

    João Pedro Mattos, de 14 anos, morto durante operação policial em São Gonçalo (RJ)
    João Pedro Mattos, de 14 anos, morto durante operação policial em São Gonçalo (RJ) Foto: Reprodução/Twitter @_danblaz

    Rafaela Cascardoda CNN

    Rio de Janeiro

    O Ministério Público do Rio (MPRJ) pediu para que os policiais acusados pela morte do adolescente João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, se pronunciem para que sejam levados a júri popular.

    O menino foi morto com um tiro de fuzil durante uma operação das polícias Civil e Federal, em 2020, no complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana. Ele brincava com os primos na casa de parentes quando foi atingido na barriga e levado para um helicóptero, onde teria ficado desaparecido por 17 horas até ser declarado morto.

    Três policiais civis são réus pela morte de João Pedro. Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister respondem por homicídio doloso e fraude processual.

    Na época, os agentes alegaram que seguranças dos traficantes da região teriam disparado contra os policiais e iniciado um confronto. No entanto, segundo a denúncia do MPRJ, os policiais “adentraram no terreno e alvejaram, sem nenhum motivo justificador, a residência em cujo interior se encontravam seis jovens desarmados, vindo a atingir e matar a vítima”.

    Ainda segundo a denúncia, Mauro, Maxwell e Meister alteraram o local do crime com a “intenção de criar vestígios de suposto confronto com criminosos”. De acordo com o MPRJ, eles teriam plantado diversos artefatos explosivos e uma pistola, além de terem produzido marcas de disparos de arma de fogo junto ao portão da garagem do imóvel.

    Ao enviar a denúncia à Justiça, o Ministério Público informou que o crime foi cometido “por motivo torpe, pelo fato de os denunciados presumirem haver criminosos no local, pretendendo agir ofensivamente para matá-los mesmo sem que houvessem”. A denúncia foi aceita em 2022.

    Com o andamento do processo, foram ouvidas diversas testemunhas, entre policiais que também atuaram na operação, mas não estavam no momento da morte. As crianças que estavam dentro da casa no momento em que João Pedro foi morto também prestaram depoimento. A última audiência do caso aconteceu em novembro do ano passado.

    Segundo o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), o processo está em fase de alegações finais. Ainda não há data prevista para o júri popular.

    A CNN tenta contato com a defesa dos policiais. A Defensoria Pública do Rio, que representa a família de João Pedro, também foi procurada pela reportagem.