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    MST volta a invadir área da Embrapa e diz que governo Lula não cumpriu acordos

    Ocupação ocorre na véspera do evento Semiárido Show, que aconteceria entre 1º e 4 de agosto na unidade da Embrapa de Petrolina (PE)

    Fernanda Pinottida CNN

    em São Paulo

    O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) voltou a invadir a área da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Petrolina, no sertão de Pernambuco. Em comunicado, o MST acusou o governo federal de não cumprir com os acordos prometidos em abril.

    A invasão ocorre na véspera do evento Semiárido Show, programado para os dias 1º a 4 de agosto na unidade da Embrapa de Petrolina.

    Segundo o movimento, “a reocupação durante o evento tem como objetivo chamar a atenção das autoridades sobre a emergência da implementação da Reforma Agrária, considerando que desde as negociações com os órgãos competentes, não houve avanço nas pautas e os acordos ficaram estagnados”.

    O MST havia ocupado a área da Embrapa em abril – mês no qual o Movimento tradicionalmente realiza um número maior de ações para promover a reforma agrária –, e deixou o local após negociações com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

    Segundo o comunicado do Movimento, foram prometidos pelo governo federal na ocasião: a destinação de parte da área para a reforma agrária; repasse de áreas para assentar as famílias que faziam parte da ocupação; e a recriação da Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Petrolina.

    No comunicado, o MST afirma que “já fazem 4 meses desse acordo, que tinha como intenção principal: distensionar a situação em Petrolina, resolver o problema do acampamento e, ao mesmo tempo, permitir que a Embrapa pudesse realizar o Semiárido Show”.

    “O MDA rompeu com todos os acordos e tenta fazer o Semiárido Show sem cumprir nada do que foi acordado para resolver a questão das famílias acampadas”, diz o comunicado. O MST acrescenta que não quer atrapalhar o evento, mas não vai permitir sua realização “se não for cumprido o mínimo do mínimo”.

    O Semiárido Show é uma feira de inovação tecnológica voltada para a agricultura familiar do semiárido brasileiro. O MST diz que aguarda a presença do governo federal, que compareceria ao evento através do MDA e do Incra, para novas negociações.

    Em nota, a Embrapa manifestou seu repúdio ao ato e disse que a empresa “rapidamente adotou todas as medidas necessárias para a desocupação da área, visando a realização do referido evento nas dependências da Embrapa Semiárido, conforme planejado, com apoio interno e de várias estruturas do governo, incluindo ministérios, Incra e outras instâncias competentes”.

    Segundo a Embrapa, todos os ocupantes do MST já se retiraram do local e os trabalhos para a abertura oficial do evento na terça-feira (1º) seguem normalmente.

    CNN entrou em contato com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e aguarda resposta.

    Invasões em 2023

    Segundo um levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) obtido pela CNN, o número de invasões de propriedades rurais registradas no país somente de janeiro a abril já superou os últimos anos.

    Foram 56 invasões de propriedades rurais apenas nos quatro primeiro meses de 2023.

    O número de invasões no campo foi de 182 em 2015, 57 em 2016 e 40 em 2017. De 2018 a 2022, ficou entre 11 e 23 casos por ano.

    Quase um terço dos casos ocorreu na Bahia, estado com o maior volume de famílias acampadas, segundo o MST. O Movimento calcula que cerca de 70 mil das 100 mil famílias nessa situação estão no Nordeste.

    Depois da Bahia, os maiores registros são em Pernambuco e em São Paulo, conforme o balanço da CNA.