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    Mulher morta após ser baleada durante ação da PM é enterrada em Santos

    Ouvidoria da polícia afirma que abriu procedimento e solicitou acesso às câmeras operacionais dos agentes envolvidos na ação

    Corpo de Edneia Fernandes Silva, morta durante ação da PM em Santos, será enterrado neste sábado (30)
    Corpo de Edneia Fernandes Silva, morta durante ação da PM em Santos, será enterrado neste sábado (30) Reprodução/Facebook

    Carolina Figueiredoda CNN Em São Paulo

    Foi enterrada na manhã deste sábado (30) a mulher de 31 anos, mãe de seis filhos, que morreu após ser atingida por uma bala perdida durante uma ação da Polícia Militar em Santos, no litoral de São Paulo. O velório de Edneia Fernandes Silva aconteceu na noite desta sexta-feira (29), na Santa Casa de Santos. O sepultamento foi no Cemitério Municipal da Areia Branca.

    Edneia estava na Praça José Lamacchia, no bairro do Bom Retiro, quando foi atingida por um disparo por volta das 18h de quarta-feira (27). De acordo com a versão dos policiais da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) envolvidos na ocorrência, eles patrulhavam a região quando viram dois homens em uma moto em alta velocidade que ignoraram a ordem de parada e atiraram cinco vezes contra a equipe, momento em que os agentes revidaram.

    Edneia foi atingida e socorrida por populares até a UPA Zona Noroeste. Ela chegou a ser transferida para a Santa Casa de Santos, mas não resistiu e morreu na quinta-feira (28). A vítima trabalhava como cabeleireira e deixa marido e seis filhos. A família nega a versão da PM e diz que não havia tiroteio no local.

    A Ouvidoria da Polícia Militar de São Paulo informou que, por tratar-se do território onde se mantém em curso a operação Verão, vê o episódio com preocupação.”Uma mãe, que cuidava de 6 filhos, vê sua vida ceifada em condições que apresentam versões controversas por parte da polícia e dos familiares da vítima”, afirmou em nota o ouvidor professor Claudio Silva.

    A entidade disse que abriu um procedimento sobre o caso e solicitou à Corregedoria da PM mais informações sobre o ocorrido, incluindo o acesso às câmeras operacionais dos PMs. Além disso, a Ouvidoria afirma que também pediu para Polícia Civil e Científica os laudos periciais e o acompanhamento do inquérito.

    “Apresentamos nossos sentimentos à familia enlutada e estaremos acompanhando este caso em todos os seus passos, pois é fundamental que, nessas operações, a polícia tenha como princiais armas a inteligência, o planejamento e a tecnolgia, afastando assim a possibilidade de erros e excessos que tenham como preço vidas inocentes e famílias destroçadas, sem o escudo do estado”, completa a nota.

    A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que todas as circunstâncias relativas aos fatos são rigorosamente investigadas pelo 5º DP de Santos e pela Polícia Militar, que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM). “Exames periciais foram solicitados e, tão logo os laudos sejam concluídos, serão remetidos à autoridade policial para análise e esclarecimento do caso”, diz a pasta, em nota.

    Operações letais na Baixada Santista

    A Operação Verão segue em vigor na Baixada Santista e já chegou em sua terceira fase. De acordo com a segurança pública, o objetivo da ação é asfixiar o crime organizado na região. A operação foi deflagrada após a morte do policial militar Wesley Cosmo, no começo de fevereiro.

    Conforme balanço divulgado pela pasta, desde o início da ação 1.038 criminosos foram presos, entre eles 425 procurados pela Justiça. Além disso, cerca de 2,5 toneladas de drogas foram recolhidas e 118 armas ilegais foram apreendidas.

    Desde o início da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Polícia Militar deflagrou duas operações que se tornaram a segunda e a terceira mais letais da história do estado.

    A primeira, a Operação Escudo, foi deflagrada em 27 de julho de 2023 e terminou em setembro com o saldo de 28 mortos. A ação ocupa o terceiro lugar entre as operações mais letais da Polícia Militar paulista, ficando atrás apenas do massacre do Carandiru, em 1992. Já a Operação Verão, deflagrada este ano, ocupa o segundo lugar no ranking de letalidade, com 55 mortos.

    Ambas as operações foram deflagradas após a morte de policiais militares na região da Baixada Santista.