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    “Não queria voltar para cadeia”, diz polícia sobre bandido que matou PM durante saidinha

    Sargento Dias estava em uma abordagem e foi atingido na cabeça; crime aconteceu na primeira semana do ano

    O policial militar Roger Dias da Cunha, de 29 anos, baleado na cabeça
    O policial militar Roger Dias da Cunha, de 29 anos, baleado na cabeça Reprodução/Redes sociais

    Daniela Mallmannda CNN

    O policial militar Roger Dias, de 29 anos, foi morto porque o atirador, que estava em saidinha de fim de ano, “não queria voltar para a cadeia.” A informação foi passada pela Polícia Civil de Minas Gerais, em coletiva de imprensa na manhã de hoje em Belo Horizonte.

    Segundo a polícia, os dois homens envolvidos no caso, de 25 e 33 anos, responderão por homicídios qualificados nas formas consumadas e tentadas. As informações foram repassadas na manhã desta segunda-feira (15) pela Polícia Civil de Minas Gerais. Além do sargento Dias, outros cinco policiais militares também foram vítimas das ações criminosas, além de um motociclista.

    Os trabalhos, conduzidos pelas equipes de Plantão do DHPP e da 3ª Delegacia Especializada de Homicídios de Venda Nova, também vinculada ao Departamento, envolveram a análise de câmeras de filmagem no local do crime e oitiva de testemunhas.

    A delegada responsável pela investigação, Ariadne Coelho, adiantou que o suspeito de atirar contra o sargento confessou o fato tanto para os policiais militares quanto para a Polícia Civil. “Ele confirmou aos investigadores ter efetuado os disparos de arma de fogo contra o militar”, disse.

    Com a conclusão das investigações, o investigado de 25 anos responderá pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, motivo fútil, dissimulação que dificultou a defesa da vítima, para assegurar impunidade em outro crime e pelo fato de as vítimas serem agentes de segurança — nas modalidades consumadas e tentadas; desobediência; resistência e porte ilegal de arma de fogo. O investigado já tem registros policiais pelos crimes de roubo majorado, posse para uso e consumo de drogas, tráfico de drogas, furto qualificado, receptação, ameaça, vias de fato e falsidade ideológica.

    Já o homem de 33 anos responderá por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, motivo fútil, dissimulação que dificultou a defesa da vítima, para assegurar impunidade em outro crime e pelo fato de as vítimas serem agentes de segurança; desobediência, resistência; posse irregular de arma de fogo e tráfico de drogas. Ele também já possuía passagens pela polícia por ameaça, furto, vias de fato, roubo, porte para o uso e consumo de drogas, tráfico ilícito de drogas e duas tentativas de homicídio.

    O policial Dias foi morto no último dia 5 de janeiro, durante atendimento a uma ocorrência de roubo na região do bairro Aarão Reis, em Belo Horizonte.

    Segundo a chefe do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Alessandra Wilke, este caso afrontou as forças de segurança e a toda população, uma vez que o papel maior da polícia é preservar vidas e resguardar a sociedade. A porta-voz da PMMG, major Layla Brunella, agradeceu à Polícia Civil os levantamentos realizados na apuração dos fatos e enfatizou a integração entre as instituições. “Somos uma força que atua em conjunto. Está cada vez mais evidente em todos os estados de que não existe essa ou aquela instituição atuando isoladamente, mas sim uma legítima força de segurança. E eu acredito que o falecimento do sargento Dias serviu para deixar isso claro para a sociedade, daquilo que como policiais já sabemos”, declarou.

    Relembre o caso

    O policial, que estava lotado no 13º Batalhão da PM-MG, foi atingido na cabeça durante confronto com um criminoso que estava nas ruas após obter o benefício da saída temporária de fim de ano. O caso aconteceu na noite de sexta-feira (5) durante uma abordagem.

    A guarnição iniciou operação para abordar dois suspeitos de assalto que estavam em um carro. Os ocupantes não obedeceram às ordens de parada, sendo necessária intensa perseguição.

    A dupla, após colidir o veículo, abandonou o carro e fugiu a pé. Solicitado o apoio de outras guarnições, a Polícia Militar deu continuidade às perseguições, sendo que a equipe composta pelo sargento Dias avistou primeiro um dos suspeitos, o indivíduo de 25 anos, próximo a um campo de várzea na região.

    O investigado desobedeceu aos comandos do militar e efetuou disparos contra o sargento, atingido na cabeça. Ainda ao ser abordado por outro policial militar, o suspeito reagiu novamente com disparos e atingiu uma viatura, até que foi alvejado e rendido.

    Na busca pelo segundo indivíduo, foram efetuadas buscas na casa do suspeito, onde foram apreendidos um colete balístico, munições calibre 38 e quase 400 gramas de maconha. O investigado efetuou disparos de arma de fogo, fugiu para uma área de mata, ainda armado, mas acabou sendo detido, após imobilizado por cães policiais.

    Os investigados foram presos em flagrante e, posteriormente, a prisão convertida em preventiva por representação da PCMG. O suspeito de 25 anos já se encontra no sistema prisional, enquanto o de 33 permanece sob escolta policial em unidade hospitalar.