Carnaval da Bahia termina sem morte violenta pelo terceiro ano consecutivo
Mais de 7,5 mil objetos proibidos foram apreendidos, 73 foragidos da Justiça capturados e festa injetou cerca de R$ 8 bilhões na economia do estado

O Carnaval da Bahia foi encerrado, na manhã desta quarta-feira (18), com um marco na área da segurança pública: pelo terceiro ano consecutivo, não houve registro de morte violenta — incluindo homicídio, feminicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte — nos circuitos oficiais da festa.
Os dados foram apresentados durante coletiva com balanço geral do evento.
Com público equivalente a cinco vezes a população de Salvador, mais de 12 milhões de foliões circularam pelos circuitos na capital e em cidades do interior. Apesar do registro de duas pessoas baleadas na capital, os responsáveis foram presos em até 24 horas e as armas utilizadas, apreendidas, segundo a SSP-BA (Secretaria da Segurança Pública da Bahia).
“O trabalho integrado das forças de segurança foi decisivo para que tivéssemos um Carnaval de paz”, afirmou o governador Jerônimo Rodrigues.
O secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner, destacou o reforço no efetivo e o uso de tecnologia como diferenciais da operação. “Mobilizamos mais de 37 mil policiais e bombeiros, com suporte de câmeras, drones e reconhecimento facial. O planejamento antecipado e o trabalho de inteligência foram fundamentais”, disse.
Reconhecimento facial e prisões
O Sistema de Reconhecimento Facial da SSP localizou 73 foragidos da Justiça, superando o número do ano anterior, quando 55 pessoas com mandado de prisão foram capturadas.
Nos 53 Portais de Abordagem instalados nos acessos aos circuitos, mais de 7.500 objetos proibidos foram apreendidos — aumento de 51% em relação a 2025. Entre os itens recolhidos estão uma pistola calibre .40, carregador, munições, facas, garfos, garrafas de vidro, estiletes e produtos inflamáveis.
Os casos de tentativa de homicídio apresentaram redução de 28,6%: foram cinco ocorrências neste ano, contra sete no ano passado. Também foram registradas 113 ocorrências de lesão corporal leve, 983 furtos e 140 roubos.
Impacto econômico e turismo
Além dos indicadores de segurança, o balanço aponta crescimento expressivo no turismo e na movimentação econômica. Mais de 3,8 milhões de visitantes estiveram na Bahia durante o período, injetando cerca de R$ 8,1 bilhões na economia.
O fluxo de passageiros nos aeroportos baianos cresceu mais de 19% em comparação com 2025. Na Rodoviária da Bahia, mais de 170 mil pessoas circularam durante a festa. A rede hoteleira registrou 95% de ocupação em Salvador, com picos de 100% nos hotéis situados nos circuitos oficiais. No interior do estado, a média foi de 85%.
Saúde e direitos humanos
Na área da saúde, foram realizados 127 atendimentos e mais de 15 mil testes para infecções sexualmente transmissíveis. Cinco postos de hidratação foram implantados nos circuitos para atendimento aos foliões.
As ações de direitos humanos incluíram o Plantão Integrado de Direitos Humanos, campanhas de enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa, apoio aos trabalhadores da festa e o combate da violência contra as mulheres foi mais um destaque.
Cultura
Na cultura, o Governo do Estado reforçou o modelo democrático e sem cordas, garantindo mais de 180 atrações gratuitas, além das cerca de 700 promovidas pela Prefeitura de Salvador.


