Família baiana retirada de voo em Paris denuncia humilhação e abuso

Passageiro afirma que compra de upgrade da Air France terminou em constrangimento público, presença policial e prejuízo financeiro; companhia apresenta versão diferente

Camila Tíssia, da CNN Brasil, Salvador
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Um episódio ocorrido na madrugada da última quarta-feira (14), no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, segue repercutindo após uma família baiana ser retirada de um voo da Air France com destino a Salvador. Em carta enviada à reportagem da CNN, o empresário Ivan Lopes relata ter vivido uma situação que classifica como “humilhante, traumática e desproporcional”, envolvendo ele, a esposa e os dois filhos — um deles, uma criança de 11 anos.

O caso aconteceu no voo AF562, quando a família retornava de uma viagem pela Europa e, no trajeto de Milão para Paris, aceitou uma oferta de upgrade da classe econômica premium para a executiva no voo até Salvador - que não foi cumprida. O valor pago foi de 399 euros por passageiro, totalizando 1.596 euros. Segundo Ivan Lopes, o problema não foi um eventual imprevisto operacional, mas a forma como a companhia conduziu a situação.

Veja o vídeo abaixo, cedido à CNN pelo BNews

Ao chegar ao portão de embarque em Paris, a família foi informada de que o assento de uma das passageiras, a filha, havia sido rebaixado de classe sob a alegação de um problema técnico. “Ao entrarmos na aeronave, constatamos que o defeito não era no nosso assento, mas em outra poltrona. O lugar da minha filha estava ocupado por um passageiro francês, supostamente funcionário da própria Air France”, afirma Ivan.

De acordo com o relato, enquanto o outro passageiro permaneceu acomodado, a família foi exposta diante dos demais clientes e, posteriormente, retirada do avião. O passageiro também acusa o comandante da aeronave de ter adotado uma postura exaltada. “Gritou com minha esposa e minha filha, sem qualquer empatia ou equilíbrio emocional”.

A situação, segundo ele, se agravou pela presença de uma criança, que presenciou toda a cena, incluindo a retirada da família da aeronave com apoio de policiais armados. “Foi um constrangimento público completamente desnecessário”, diz o documento.

Ivan Lopes afirma ainda que, após a retirada do voo, a família não recebeu assistência adequada, nem realocação imediata em outro voo. Ele relata que funcionários da companhia teriam informado que eles não teriam direito a nenhum suporte e que, caso quisessem viajar no dia seguinte, precisariam comprar novas passagens.

Diante disso, a família optou por adquirir bilhetes em outra companhia aérea, também na classe executiva, conforme orientação jurídica. As bagagens, segundo o relato, demoraram cerca de duas horas para serem devolvidas. O prejuízo financeiro estimado pela família chega a aproximadamente 16 mil euros, valor que deve integrar uma ação judicial contra a Air France.

“O que vivenciamos não foi apenas um transtorno de viagem, mas uma situação humilhante, traumática e desproporcional, que expôs uma família inteira, especialmente uma criança, a um sofrimento emocional desnecessário”, afirma o passageiro.

Ele completou dizendo que a família decidiu tornar o caso público não apenas em busca de reparação financeira, mas para evitar que situações semelhantes se repitam. “Companhias aéreas lidam com pessoas, famílias e histórias, não apenas com assentos e procedimentos”.

A Air France se manifestou sobre o caso. Veja nota

“A Air France confirma que a tripulação do voo AF562, de Paris–Charles de Gaulle para Salvador, Bahia, em 14 de janeiro, decidiu desembarcar um grupo de quatro passageiros indisciplinados. O comportamento adotado a bordo, antes da partida, causou atraso, gerou insatisfação entre outros passageiros e poderia ter comprometido a segurança do voo.

De fato, a equipe da Air France no portão informou a um dos quatro passageiros — que originalmente possuía bilhetes em Premium Economy — que, devido à inoperância de um outro assento na Classe Executiva, o upgrade para a Classe Executiva, adquirido no dia da partida, não poderia ser honrado. O assento em questão foi, portanto, atribuído a um cliente que havia adquirido um bilhete de Classe Executiva no momento da reserva.

Considerando o desejo dos passageiros de viajarem juntos, a equipe da Air France ofereceu assentos na cabine Premium Economy, conforme originalmente previsto. No entanto, os passageiros optaram por manter três assentos em Classe Executiva (upgrade) e um assento em Premium Economy (upgrade que não pôde ser honrado devido ao assento inoperante).

Uma vez a bordo, os passageiros reagiram de forma extremamente exaltada e adotaram comportamento inadequado em relação à tripulação de cabine. Apesar das explicações fornecidas e dos reiterados apelos do comandante para que mantivessem a calma, o mau comportamento persistiu.

Diante dessa situação, e em conformidade com a legislação internacional aplicável, o comandante decidiu desembarcar os quatro passageiros da aeronave, a fim de garantir o bom andamento do voo e a tranquilidade de todos a bordo.

A Air France reforça que a segurança de seus clientes e de seus tripulantes é sua prioridade absoluta."