Júri de acusados pela morte de Mãe Bernadete é retomado em Salvador

Sessão entra na fase de debates após ouvir testemunhas e interrogar réu; julgamento havia sido iniciado na véspera em Salvador

Gabriela Bento, colaboração para a CNN Brasil, no Recife
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O júri popular dos acusados de matar a líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, foi retomado nesta terça-feira (14), em Salvador. A sessão recomeçou às 9h, no Fórum Ruy Barbosa, após ter sido suspensa no dia anterior.

Respondem ao processo Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos, acusados de homicídio qualificado pela morte da ialorixá, ocorrida em agosto de 2023. O julgamento é conduzido pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador.

A sessão começou na segunda-feira (13) e foi suspensa após o interrogatório de Arielson. Antes disso, três testemunhas foram ouvidas ao longo do dia.

Com a retomada dos trabalhos, o júri entra na fase de debates. De acordo com o tribunal, o Ministério Público e a assistência de acusação se manifestam primeiro, seguidos pela defesa. Encerradas as sustentações, cabe ao Conselho de Sentença decidir pela condenação ou absolvição dos réus.

“É um processo de certa magnitude, um momento importante para o Poder Judiciário da Bahia e do Brasil. Precisávamos dar essa resposta para a sociedade e hoje o júri está acontecendo”, afirmou o presidente do tribunal, o desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano.

Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023, na sede do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Ela estava em casa quando o imóvel foi invadido por homens armados e foi morta com 25 tiros. No momento do crime, três netos da ialorixá estavam na residência. Eles foram retirados da sala antes dos disparos e não sofreram ferimentos.

Júri de réus pela morte de Mãe Bernadete acontece em Salvador nesta segunda

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Marílio dos Santos é apontado como mandante do crime e chefe do tráfico de drogas na região, enquanto Arielson da Conceição Santos é indicado como um dos executores. Ambos respondem por homicídio qualificado.

Segundo o inquérito policial, o homicídio teria sido motivado pela oposição firme da líder religiosa à atuação do tráfico de drogas no território quilombola e pela retirada de uma barraca, que, segundo a investigação, era utilizada para a venda de entorpecentes.

Outros três denunciados ainda não foram julgados e devem ser levados a júri popular em data posterior. A CNN Brasil busca contato com as defesas dos réus.