Número de ararinhas-azuis infectadas por circovírus sobe para 31 na Bahia
Segundo a investigação epidemiológica, divulgada nesta terça-feira (2), a origem do circovírus detectado, letal para as aves, ainda é incerta

O ICMBio (Instituto Chico Mendes) informou que subiu para 31 o número de ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) com resultado positivo para circovírus, na cidade de Curaçá, na Bahia.
Segundo a investigação epidemiológica, divulgada nesta terça-feira (2), a origem do circovírus detectado — um vírus letal para as aves — ainda é incerta. Até a última apuração, 11 ararinhas haviam testado positivo.
O instituto informou que a prioridade é a contenção da disseminação do vírus, uma vez que este patógeno coloca em risco, além das próprias ararinhas, todas as populações de araras, papagaios e periquitos da região.
Confira a investigação:
O ICMBio afirmou, na última quarta-feira (26), que 11 ararinhas-azuis que estavam soltas na natureza testaram positivo para circovírus.
O Instituto multará em R$ 1,8 milhão a BlueSky, empresa que gerencia o criadouro em Curaçá (BA), que atualmente conta com 103 ararinhas. Após investigações, foi constatado que os protocolos de biossegurança não estavam sendo seguidos.
Durante as vistorias feitas em parceria com INEMA (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos) e a Polícia Federal, o ICMBio afirmou ter identificado que os comedouros, onde era fornecida a alimentação diária às aves de vida livre, estavam extremamente sujos, com acúmulo de fezes ressecadas.
Além disso, medidas como limpeza e a desinfecção diária das instalações e dos utensílios não estavam sendo realizadas de maneira correta. Os funcionários também foram flagrados utilizando chinelos, bermuda e camiseta durante o manejo dos animais.
“Se as medidas de biossegurança tivessem sido atendidas com o rigor necessário e implementadas da forma correta, talvez a gente não tivesse saído de apenas um animal positivo para 11 indivíduos positivos para circovírus”, relata Cláudia Sacramento, coordenadora da Coordenação de Emergências Climáticas e Epizootias do ICMBio.
O Criadouro Ararinha-azul rejeitou as acusações de negligência e afirmou, em nota, seguir "os protocolos rígidos de biossegurança e bem-estar animal", além de contar com "instalações e equipamentos adequados ao manejo das aves".
"A instituição contesta ainda a informação de que 'as últimas ararinhas-azuis na natureza' estariam sob risco iminente em razão do circovírus. Até 2019, não havia nenhuma ararinha na Caatinga. Com a construção do criadouro, 101 aves foram trazidas para o bioma. Hoje, segundo o criadouro, há 103 ararinhas-azuis sob seus cuidados, sendo 98 com exames negativos para o vírus e 5 com detecção de circovírus em ao menos um exame", afirmou a organização.
O criadouro criticou o governo e disse que ainda não teve acesso ao laudo técnico completo fundamenta a multa de R$1,8 milhão aplicada pelo ICMBio.
"Em vez de atuar em cooperação para enfrentar um problema sanitário que existe no Brasil há mais de 30 anos, o Estado prefere transferir a culpa e buscar punições contra uma entidade privada que investe recursos próprios na conservação de uma espécie ameaçada", completou.
O criadouro é parceiro da organização alemã Associação para a Conservação de Papagaios Ameaçados (ACTP, na sigla em inglês), que detém 75% das ararinhas registradas em todo o mundo.
No momento, investigações vêm sendo realizadas para conhecer a origem do vírus nas ararinhas. As aves serão separadas entre animais positivos e negativos, para garantir que as medidas de biossegurança sejam incorporadas à rotina de manejo do animal. .
Ararinhas-azuis são soltas na natureza 20 anos depois de extinção
As araras foram soltas em uma região de preservação de Curaçá, na Bahia, em 2022, após serem repatriadas da Europa e mantidas em um criadouro até a reintrodução na natureza. As aves foram recapturadas no início de novembro por suspeita de circovírus.
O primeiro caso de circovírus foi detectado em uma ararinha-azul, em maio deste ano. Após a detecção, foi instaurado um sistema de comando de incidente, pelo ICMBio, para impedir a disseminação do vírus para os indivíduos de ararinha-azul e demais psitacídeos da região.
A espécie é considerada extinta na natureza desde o ano 2000, quando desapareceu o último animal selvagem, que era acompanhado por pesquisadores.


