Quatro indígenas são presos em operação contra conflitos agrários na Bahia
Forças de segurança cumprem mandados em áreas de tensão entre produtores rurais e indígenas e apreendem fuzil com munições

Quatro pessoas foram presas, nesta terça-feira (17), em Porto Seguro e Prado, durante uma operação integrada das forças de segurança no Extremo Sul da Bahia. Entre os detidos, estão quatro indígenas, incluindo dois caciques. A ação investiga suspeitos de envolvimento em conflitos entre produtores rurais e indígenas na região.
Segundo a SSP-BA (Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia), as prisões ocorreram em áreas de confronto, incluindo a região onde duas turistas gaúchas foram baleadas, em fevereiro deste ano.
Segundo as autoridades, três dos detidos tinham mandados de prisão em aberto e são investigados por crimes como invasão de terra, porte ilegal de arma de fogo, homicídios, ameaças, esbulho possessório, cárcere privado, tentativa de homicídio e roubo de veículos, maquinários agrícolas e equipamentos eletrônicos.
Entre os presos, está um homem suspeito de atirar contra uma viatura da Força Nacional no dia 10 de março, localizado e detido em flagrante com uma espingarda durante o cumprimento dos mandados. Os alvos da operação incluem os caciques Caíque Suruí e Aruã. As identidades de dois dos detidos não foram divulgadas.
As prisões ocorreram durante as operações Sombras da Mata II e Tekó Porã II, que reúnem as polícias federal e rodoviária federal, além da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), com atuação das polícias Militar, Civil e Técnica, Corpo de Bombeiros Militar e Força Nacional.
Durante as diligências, os policiais apreenderam um fuzil, duas espingardas, carregadores, munições, colete balístico e rádios comunicadores. Parte do armamento, segundo as autoridades, estava em posse de um dos investigados.
As operações foram realizadas nas primeiras horas da manhã e têm focos distintos dentro do cenário de conflitos na região. Na Sombras da Mata II, os mandados são direcionados a indígenas investigados por crimes relacionados à disputa por terras. Já a Tekó Porã II tem como objetivo cumprir ordens judiciais contra suspeitos armados de ataques a comunidades indígenas em propriedades rurais.
Os mandados foram expedidos pela Vara Federal e Criminal da Subseção Judiciária de Teixeira de Freitas. As forças de segurança informaram que as ações seguem em andamento, com reforço policial e medidas de inteligência intensificadas por tempo indeterminado.
Ataque a turistas expõe tensão na região
A operação ocorre em meio à escalada de violência no Extremo Sul da Bahia. Em 24 de fevereiro, duas turistas gaúchas, de 55 e 57 anos, foram baleadas ao passarem de carro por uma estrada vicinal na região de conflito. Segundo a SSP-BA, o veículo foi atingido por disparos após encontrar um bloqueio na via. Um homem que também estava no carro não foi ferido.
A estrada fica no território indígena de Comexatibá, área em disputa entre indígenas e fazendeiros. Em novembro de 2025, o Ministério da Justiça declarou o território como posse permanente do povo Pataxó.


