STJ revoga prisão de médico acusado de assédio sexual no interior do Ceará
Yuri Portela, ex-professor preso em Quixadá, deve ser solto após decisão da Corte; MP confirmou novas denúncias após a prisão

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) revogou, nesta quarta-feira (18), a prisão preventiva do médico e ex-professor universitário Yuri Portela, detido desde 29 de janeiro em Quixadá, no Sertão do Ceará, por suspeita de assédio sexual e violência psicológica contra uma aluna.
Após a prisão, outras mulheres procuraram o Ministério Público do Ceará para relatar supostas condutas semelhantes, informação confirmada pelo órgão à CNN Brasil. Com a nova decisão, ele deve ser colocado em liberdade nos próximos dias.
Ao analisar o caso, o ministro do STJ, Reynaldo Soares da Fonseca, entendeu que não foram apresentados fatos novos que justificassem a manutenção da prisão preventiva. Segundo o magistrado, os crimes atribuídos a Yuri Portela teriam ocorrido em maio de 2025 e, desde então, não houve registro de novas ocorrências ou de reiteração delitiva.
Na decisão, o ministro destacou que a prisão foi decretada apenas em 28 de janeiro de 2026, meses após os fatos investigados, sem indicação de ameaça recente, descumprimento de medidas judiciais ou agravamento concreto da situação. Para o STJ, não ficou demonstrado risco atual à ordem pública ou ao andamento das investigações.
Yuri Portela foi preso em Quixadá, onde atuava como professor em uma faculdade particular de medicina, função que não exerce mais. À época da prisão, o MPCE informou que havia indícios de que ele se valia da posição de docente para constranger uma aluna a manter relações de cunho sexual, mediante a promessa de vantagens acadêmicas, como acesso a avaliações e pontuação em atividades.
A prisão ocorreu no âmbito da Operação Bisturi Acadêmico, deflagrada pelo MPCE em conjunto com a Delegacia de Defesa da Mulher, a Polícia Militar e a Polícia Penal. O órgão afirmou que a medida cautelar era necessária para garantir a ordem pública, preservar a apuração dos fatos e evitar novas abordagens ou possíveis intimidações à vítima.
“Há também indícios de outras condutas possivelmente criminosas e de outras vítimas, razão pela qual as investigações prosseguem até completa elucidação dos fatos”, destacou o MP em nota à imprensa.
No dia 2 de fevereiro, o MPCE confirmou à CNN Brasil que mais quatro mulheres procuraram a 1ª Promotoria de Justiça de Quixadá para relatar outras supostas condutas criminosas atribuídas ao ex-professor. Segundo o órgão, todas serão ouvidas e cada caso será apurado individualmente.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa de Yuri Portela. O espaço segue aberto.


