Paralisação deixa São Luís sem ônibus do sistema urbano nesta sexta (13)

Rodoviários afirmam que empresas não pagaram o reajuste salarial da categoria; ônibus do sistema semiurbano operam quase normalmente na Grande São Luís (MA)

Gabriela Bento, colaboração para a CNN Brasil, no Recife
Compartilhar matéria

Os ônibus do sistema urbano de São Luís não saíram das garagens nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (13), após rodoviários suspenderem as atividades em meio ao impasse sobre o pagamento do reajuste salarial da categoria. A informação foi confirmada pelo Sttrema (Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão). Até o momento, não há previsão de normalização do serviço no sistema urbano da capital maranhense.

Segundo o presidente da entidade, Marcelo Brito, as empresas responsáveis pelo sistema urbano ainda não efetuaram o pagamento do reajuste salarial aos trabalhadores. Com isso, os coletivos permaneceram nas garagens no início do dia, sem circulação nas ruas da capital maranhense. Enquanto isso, o sistema semiurbano opera quase normalmente nesta manhã de sexta-feira.

O Sttrema informou que participou, na quinta-feira (12), de uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região, onde houve avanço nas negociações relacionadas ao pagamento do reajuste salarial da categoria.

No caso do sistema semiurbano, que é gerido pela Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos, ficou definido que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís deverá repassar às empresas que operam o serviço os valores referentes à diferença do reajuste, para que o pagamento seja efetuado aos trabalhadores.

Já em relação ao sistema urbano, administrado pela Prefeitura de São Luís, ainda não houve indicativo de pagamento do reajuste por parte das empresas. O sindicato afirma que aguarda um posicionamento para que o mesmo procedimento adotado no sistema semiurbano seja aplicado também aos rodoviários que atuam na capital.

Após mais de quatro dias de greve dos rodoviários em fevereiro, o TRT-16 (Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região) concedeu reajuste salarial de 5,5% à categoria, retroativo a 1º de janeiro de 2026, além da implantação de um plano odontológico. A decisão foi assinada pelo desembargador Gerson de Oliveira Costa Filho.

A reportagem procurou a Prefeitura de São Luís e a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos para comentar a situação do transporte urbano e o pagamento do reajuste salarial aos rodoviários, mas não havia obtido resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

Veja a nota da SMTT na íntegra

"A SMTT (Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes) informa que a greve registrada nas primeiras horas desta sexta-feira (13) no sistema de transporte urbano de São Luís decorre do não cumprimento, por parte das empresas de ônibus, da decisão recente da Justiça do Trabalho que determinou a implementação de reajuste salarial e a concessão de benefícios aos trabalhadores rodoviários.

Mesmo após a decisão judicial, as empresas não garantiram aos trabalhadores as vantagens determinadas pela Justiça do Trabalho, o que levou à greve no sistema urbano de transporte público.

A SMTT esclarece que vem cumprindo regularmente todas as suas obrigações financeiras com o sistema de transporte público, com os repasses do subsídios às empresas sendo realizados em dia, sem qualquer dedução ou atraso.

Diante disso, causa estranheza o fato de que, mesmo recebendo regularmente os recursos devidos pelo Município, as empresas não tenham garantido a implementação do reajuste e beneficíos assegurados aos trabalhadores rodoviários.

Para reduzir os impactos da greve, a Prefeitura adotou medidas emergenciais, como a liberação de vouchers para utilização em aplicativos de transporte, garantindo alternativa de deslocamento aos usuários do sistema de transporte público enquanto o serviço permanecer comprometido. Os vouchers já foram disponibilzados para os usuários já cadastrados no sistema disponilizado pela prefeitura anteriormente.

A Prefeitura informa ainda que ingressou nesta quinta-feira (12) com ação na Justiça do Trabalho requerendo a declaração de abusividade da greve, bem como a adoção de medidas efetivas que assegurem a circulação mínima do transporte coletivo, conforme determina a legislação aplicável aos serviços essenciais. A lei é clara ao estabelecer que, em atividades dessa natureza, não é admitida a interrupção total do serviço, devendo ser garantido o atendimento mínimo à população.

A SMTT segue acompanhando a situação de forma permanente e adotando todas as medidas necessárias para assegurar o restabelecimento do serviço e resguardar os direitos dos usuários do transporte público de São Luís."