Comerciante denuncia violência policial durante bloco pós-carnaval em PE

Vídeo mostra comerciante sendo imobilizado por policial; vítima relata ferimentos e registra denúncia na Corregedoria da SDS

Gabriela Bento, colaboração para a CNN Brasil, no Recife
Vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento da abordagem policial em meio à movimentação de foliões no bairro de Caetés I  • Reprodução/Redes sociais
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Um idoso de 63 anos afirma ter sido agredido por policiais militares enquanto vendia bebidas durante o Bloco da Ressaca, em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife, no último domingo (22).

Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento da abordagem policial em meio à movimentação de foliões no bairro de Caetés I.

Veja vídeo

O comerciante Edvaldo Antônio da Silva relata que trabalhava no evento quando se envolveu em uma confusão com policiais militares.

As imagens mostram o furgão utilizado por ele cercado por agentes. Edvaldo aparece sentado na parte traseira do veículo enquanto um policial retira a placa e tenta fechar as portas. Ao se aproximar, ele é empurrado, tem os braços puxados para trás e acaba sendo imobilizado, enquanto outros policiais acompanham a ação.

Depois, no mesmo vídeo, é possível ver o comerciante sendo conduzido até uma rua próxima e encostado contra a parede de uma residência. As imagens registram o momento em que ele bate a cabeça.

Segundo Edvaldo, a situação começou após ele escorregar em uma poça d’água, respingando lama em pessoas que estavam próximas, entre elas um policial. Ele afirma que pediu desculpas imediatamente e que os foliões aceitaram as explicações. Ainda de acordo com o comerciante, o policial não teria aceitado o pedido de desculpas e ordenou que ele retirasse o veículo do local.

O idoso diz que, ao solicitar autorização para continuar trabalhando, foi puxado pelo agente, levado até um muro e teve a cabeça e o corpo empurrados contra a parede. Ele relata ter sofrido ferimentos no rosto, na mão e no pescoço, segundo o registro policial.

Após o episódio, Edvaldo afirma que foi orientado a deixar o local. Ele diz ter procurado uma delegacia e um quartel da Polícia Militar, mas não conseguiu registrar a ocorrência. Posteriormente, foi encaminhado à Corregedoria da Secretaria de Defesa Social, no Recife, onde formalizou a denúncia e realizou exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal.

Em nota, a PMPE (Polícia Militar de Pernambuco) informou que determinou a abertura de uma investigação preliminar para apurar a conduta dos policiais envolvidos. A corporação declarou que não coaduna com atos incompatíveis com os valores e a disciplina da instituição e que adota as providências administrativas cabíveis diante de indícios de irregularidades.

A Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social também instaurou procedimento preliminar para verificar as informações e reunir elementos que possam embasar eventual processo administrativo.