Filha é apontada como mentora da morte de caminhoneiro no Grande Recife

Polícia concluiu inquérito e prendeu seis pessoas envolvidas no assassinato; interesse em herança teria motivado o crime

Bruno Araújo, colaboração para a CNN Brasil, no Recife
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A Polícia Civil de Pernambuco finalizou as investigações sobre a morte do caminhoneiro Ayres Botrel, de 60 anos, assassinado dentro de casa no Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife.

O crime ocorreu em junho e foi encomendado pela própria filha da vítima, Amanda Chagas Botrel, interessada no patrimônio do pai, estimado em R$ 2 milhões.

Ao todo, seis pessoas foram indiciadas e tiveram a prisão preventiva decretada. De acordo com a delegada Myrthor Freitas, a ação policial incluiu diligências em diferentes estados.

“O Poder Judiciário decretou a prisão preventiva e iniciou-se a terceira etapa do procedimento, que foi o cumprimento desses mandados. Dois já estavam presos. Um deles já estava no Rio Grande do Norte e os outros dois foram capturados no Cabo de Santo Agostinho, no bairro da Charneca”, explicou.

As investigações revelaram que Amanda procurou um antigo colega de escola, Daniel, que já cumpria pena por tráfico de drogas. Foi ele quem intermediou o contato com outros criminosos e conseguiu reunir o grupo responsável pela execução.

“A Amanda fez o primeiro contato com o Daniel, presidiário. Ela encomendou e arquitetou tudo. Foi a mentora do crime. Daniel, então, acionou um parceiro no Rio Grande do Norte, que por sua vez conhecia outro detento no Cabo. Esse preso localizou dois executores. E foram esses dois homens que entraram na casa e atiraram contra o caminhoneiro, com a ajuda de Amanda, que franqueou a entrada usando o próprio carro”, detalhou a delegada.

O pagamento acertado pela filha para que o assassinato fosse realizado incluía R$ 50 mil e um apartamento. Ainda assim, a polícia não conseguiu comprovar qual valor chegou de fato aos executores. As armas utilizadas não foram localizadas.

“São criminosos experientes. Eles sabem como esconder, trocar e até se desfazer das armas. Mesmo que alguma fosse encontrada, talvez nem fosse a do crime”, destacou Myrthor Freitas.

O inquérito já foi encaminhado à Justiça. A expectativa é de que os envolvidos respondam pelo homicídio qualificado. “A Polícia Civil já concluiu, inclusive com o oferecimento do inquérito e as prisões. Agora é com o Poder Judiciário finalizar e, quem sabe, chegar a uma sentença condenatória”, concluiu a delegada.