Defesa de técnica de enfermagem que tentou roubar bebê no PI alega "surto"

Advogado de Auricélia de Sousa Rocha afirma que ela foi diagnosticada com transtorno psicótico com sintomas equisofrênicos; suspeita segue presa

Yasmin Silvestre, colaboração para a CNN Brasil, Khauan Wood, da CNN Brasil*, São Paulo
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A defesa da técnica de enfermagem Auricélia de Sousa Rocha, presa nesta segunda-feira (13) por tentar roubar uma bebê da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, no Piauí, disse que a mulher sofre problemas psiquiátricos e que poderia estar em surto no momento do crime.

O caso ganhou repercussão após a tia da criança, Daniela Beatriz, ir às redes socais alegar "negligência" do hospital e informar que a técnica tentou sequestrar a criança recém-nascida, colocando-a em uma bolsa no último dia 6 de julho.

Após a denúncia, a Polícia Civil do Piauí instaurou um inquérito para investigar o caso. Auricélia foi detida enquanto estava em uma instituição psiquiátrica. Ela teve a prisão convertida em preventiva e segue presa.

Procurado, o advogado Tiago Moreira, que representa a suspeita, informou que ela foi submetida à avaliação psiquiátrica e recebeu o diagnóstico de Transtorno Psicótico Agudo Polimorfo com sintomas esquizofrênicos. 

"No atual estado clínico, conforme constatado pela defesa e pelos familiares, Auricélia apresenta importante comprometimento de sua compreensão acerca da realidade vivenciada, demonstrando dificuldade para compreender a gravidade dos fatos investigados e até mesmo a própria situação processual em que se encontra".

Segundo ele, visando assegurar a "saúde mental" da suspeita, a defesa entrará com um pedido de revogação da prisão preventiva e impetrará um Habeas Corpus ao Tribunal Superior. 

Entenda o caso

Em entrevista à CNN Brasil, Daniela Beatriz explicou que Auricélia teria se aproximado da mãe da bebê, logo após o parto, informando que iria submetê-la a um "teste do pezinho" - exame laboratorial realizado em recém-nascidos.

Segundo ela, a técnica teria entrado em uma sala, trocado de roupa, e tentado fugir por outra porta com a bebê em uma bolsa.

"Eu suspeitei ela estivesse com aquela bolsa. No começo eu até questionei ela: "Para que era a bolsa?'. Ela disse que era para levar umas coisas para as amigas, para as meninas. Ela falou isso pra mim", explicou.

Ao desconfiar do sequestro, a tia puxou a bolsa da mão da técnica e viu o rosto da criança.

"Quando eu questiono ela sobre o que tá acontecendo, se realmente ela é uma funcionária da maternidade, ela disse pra mim que é uma funcionária e que não era aquilo que eu estava pensando", contou. 

Na confusão, outras pessoas aparecem e Daniela pede para chamar a direção da maternidade. Ela alega que também solicitou a presença da polícia, mas o pedido não foi atendido.

Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado do Piauí informou que o hospital registrou um boletim de ocorrência, que forneceu as imagens de câmera de segurança da maternidade e que afastou Auricélia de suas funções.

Por outro lado, o Coren-PI decidiu suspender a inscrição profissional da suspeita e informou que instaurou um procedimento ético para julgar o caso. 

A CNN Brasil também tenta contato com o hospital. O espaço segue aberto.