Caso Benício: imagens mostram atendimento em hospital antes de morte

Menino de 6 anos morreu após erro médico, segundo a polícia; caso é investigado como homicídio

Beto Souza e Felipe Andrade, da CNN Brasil, Bruna Lopes, da CNN Brasil*, em São Paulo
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Imagens de câmeras de segurança registraram a passagem do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, no Hospital Santa Júlia em Manaus. Ele morreu após a aplicação errada de adrenalina, no último dia 22 de novembro. O caso é investigado pela Polícia Civil como homicídio.

Uma sequência de erros na prescrição e na administração do medicamento, seguida por uma rápida deterioração do quadro clínico do menino, culminaram em sua morte.

Conforme apuração do caso, o menino chegou ao hospital com um quadro de tosse seca e febre, que seria diagnosticado como laringite. No entanto, ele acabou recebendo uma dose de 9 miligramas de adrelina direto na veia quando, na verdade, deveria ter recebido uma dose menor e apenas por inalação.

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Conforme as imagens, a vítima e os pais dele chegaram a unidade hospitalar por volta das 13h30.

As imagens registram a passagem de Benício com a mãe no consultório médico, e logo na sequência, a ida até a enfermaria, onde a medicação foi ministrada de forma errada. Antes, contudo, a criança aparece estável no colo do pai, aguardando atendimento.

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Logo após a aplicação da adrenalina, a reação dos pais acusam os primeiros sintomas. A movimentação do pai em busca de suporte, e na sequência, o acúmulo de profissionais em volta do paciente, retratam o agravamento do quadro.

Na última parte das imagens a que a CNN Brasil teve acesso, o garoto já aparece na UTI acompanhado pelo pai, instantes antes da morte.

Veja a sequência de imagens:

Erro médico e morte

A médica Juliana Brasil Santos alegou ter prescrito "erroneamente adrenalina por via endovenosa" no prontuário médico e em mensagens de WhatsApp, mas posteriormente alegou que o erro na via de administração ocorreu devido a um "bug".

A médica também admitiu não ter revisado a prescrição impressa antes de entregá-la à mãe.

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A mãe de Benício questionou a técnica de enfermagem responsável pela aplicação, lembrando que o filho só havia tomado adrenalina por inalação. Contudo, a técnica respondeu que "iria seguir o que estava prescrito pela médica".

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Benício apresentou uma sequência de seis paradas cardiorrespiratórias. Ele não resistiu e o óbito foi declarado às 02h55 do dia 23 de novembro.

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