Terras indígenas respondem por 1,7% do desmatamento na Amazônia, diz Imazon
Dados mostram que quase 60% desses territórios não tiveram registro de derrubada entre agosto de 2025 e julho de 2026

As terras indígenas responderam por apenas 1,7% do desmatamento registrado na Amazônia nos últimos 12 meses, mesmo ocupando cerca de 23% da área da região. Os dados são do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgados nesta semana.
Entre agosto de 2025 e julho de 2026, foram derrubados 2.702 km² de floresta, dos quais 46,96 km² estavam dentro de territórios indígenas. O levantamento considera o chamado “calendário do desmatamento”, período que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte e é utilizado pelos sistemas de monitoramento da Amazônia.
Na comparação com o calendário anterior, quando foram destruídos 3.503 km² de floresta, houve uma redução de 23% no desmatamento. Segundo o Imazon, foi a menor área desmatada dos últimos 11 calendários, ou seja, em mais de uma década.
As terras indígenas tiveram um dos melhores resultados entre as diferentes categorias de território analisadas.
Quase 60% delas não registraram nenhum desmatamento no período.
Entre os 40% que tiveram alguma área de floresta derrubada, somente 11 territórios registraram mais de 1 km² de desmatamento, área equivalente a aproximadamente 100 campos de futebol. Entre as terras indígenas com maior área desmatada, a Cachoeira Seca, no Pará, aparece na primeira posição, com 4,44 km².
Na sequência estão Andirá-Marau, entre Amazonas e Pará, com 2,83 km²; Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, com 2,53 km²; e Sete de Setembro, entre Rondônia e Mato Grosso, com 2,48 km². A Terra Indígena Trincheira/Bacajá, no Pará, registrou 2,16 km².
Territórios protegidos
As unidades de conservação também apresentaram uma participação relativamente baixa no desmatamento total da Amazônia. Foram 239,76 km² de floresta derrubada, o equivalente a 9% do total. Em 63% dessas áreas não houve registro de desmatamento no período.
Apesar disso, algumas unidades seguem sob forte pressão. É o caso da Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, que sozinha concentrou 38% de todo o desmatamento registrado em unidades de conservação da Amazônia, com 90,87 km² de floresta derrubada.
Para a pesquisadora Raíssa Ferreira, do Imazon, o avanço da derrubada na região não é recente e exige tanto ações para impedir novos desmatamentos quanto medidas de recuperação das áreas já destruídas.
Pará lidera desmatamento
Mesmo com a redução geral, o Pará continua sendo o estado com maior área desmatada na Amazônia. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, foram 818 km², uma redução de 30% em relação ao calendário anterior.
Na sequência aparecem Mato Grosso, com 565 km², e Amazonas, com 495 km². Juntos, os três estados concentraram 70% de todo o desmatamento registrado na Amazônia no período.
O resultado, no entanto, não foi uniforme entre os estados. Enquanto Pará, Mato Grosso e Amazonas tiveram redução, Roraima registrou aumento de 30%, passando de 201 km² para 262 km². O Maranhão também teve alta, de 17%, chegando a 122 km².
Segundo Manoela Athaide, pesquisadora do Imazon, os estados que concentram as maiores áreas de floresta precisam manter ações permanentes de fiscalização e responsabilização de quem pratica desmatamento ilegal.
Degradação da floresta também caiu
Além do desmatamento, o estudo analisou a degradação florestal, que ocorre quando a floresta é danificada por atividades como queimadas e exploração madeireira, mas não necessariamente é completamente retirada.
Nesse caso, a redução foi ainda maior: 93%. A área degradada caiu de 35.229 km², entre agosto de 2024 e julho de 2025, para 2.577 km² no último calendário, o menor índice desde 2023.
Somente em julho, a área degradada passou de 502 km² em 2025 para 107 km² em 2026, uma redução de 79%.
Apesar dos resultados positivos no acumulado do período, o Imazon chama atenção para a necessidade de manter a fiscalização e a proteção dos territórios.
O instituto destaca que terras indígenas e unidades de conservação funcionam como barreiras ao avanço do desmatamento e têm papel importante na conservação da biodiversidade e na manutenção das chuvas.


