Indígenas morrem em naufrágio no Rio Xingu; adolescente está desaparecido
Embarcação voadeira transportava indígenas da Terra Indígena Kararaô, entre eles homens, mulheres e crianças

Os corpos de cinco indígenas foram encontrados após um naufrágio no Rio Xingu em Altamira, no Pará, na tarde da última quarta-feira (10). Um adolescente de 14 anos está desaparecido e é procurado.
O caso foi primeiro informado pela Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), que prestou solidariedade pelas vítimas dos povos Kayapó e Xikrin. A embarcação voadeira transportava 14 indígenas da Terra Indígena Kararaô, entre eles homens, mulheres e crianças, no trecho do rio conhecido como "Canalzão".
Uma "voadeira" é um pequeno barco de alumínio, muito utilizado nas regiões da Amazônia e do Pantanal, onde grandes rios são usados como meios de transporte.
A área onde o naufrágio ocorreu é próxima à Base Operacional Koatinemo, caracterizada por fortes correntezas, rebojos e presença de pedras, de acordo com a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas).
Entre os indígenas que estavam a bordo, 13 eram de etnia Xikrin, oriundos da Terra Indígena Trincheira Bacajá, na região do Baixo Bacajá, e um da etnia Kayapó, identificado como Patukre Kayapó, conhecido como Romário Kayapó, piloto da embarcação e oriundo da Terra Indígena Kararaô.
"A Coiab acompanha com preocupação os desdobramentos da ocorrência e espera que as equipes de busca e resgate consigam localizar, com urgência, todas as pessoas desaparecidas, prestando o apoio necessário às vítimas e seus familiares", afirmou o órgão.
A Marinha do Brasil e o Corpo de Bombeiros do Pará, por meio 9º Grupamento Bombeiro Militar de Altamira, trabalham na ocorrência. Até este domingo (14), os corpos de cinco vítimas foram encontrados. Veja quem são:
- Romário Kayapó, 44 anos
- Bemoti Xikrin, de 32 anos
- Kokonã Xikrin, de 22 anos
- Adolescente de 12 anos
- Criança de 5 anos
As buscas continuam pelo indígena menor de idade identificado como Beptoti.
A Marinha trabalha por meio da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental em coordenação com a Funai, o Exército Brasileiro e a Norte Energia.
A corporação explicou neste domingo que uma nova equipe de militares especializados do Centro de Hidrografia do Norte, sediado em Belém, será deslocada para a área de buscas com o aparelho de varredura subaquática de alta precisão (sidescan), ampliando a capacidade de buscas.
A Funai também detalhou como cada órgão atua na ocorrência:
"A equipe presente na Base Operacional Koatinemo, ao ser informada pelo ocorrido, iniciou o apoio emergencial às vítimas. E a CR-CLPA/Funai e a Coordenação de Frente de Proteção Etnoambiental do Médio Xingu (CFPE-MX) passaram a promover os acionamentos institucionais necessários, ao Corpo de Bombeiros do Pará, a Polícia Civil do Pará e a Marinha do Brasil.
Além disso, a Funai articulou com diferentes instituições, que atuam junto aos povos indígenas do Médio Xingu, de modo a ampliar a rede de apoio às vítimas resgatadas, aos familiares e às equipes de busca, como o DSEI de Altamira/PA, para atendimento em saúde aos indígenas resgatados; e a empresa Norte Energia S.A. (NESA), que contribuiu com alimentação.
Por meio dessas articulações, foi viabilizado o envio de mantimentos e medicamentos, para ajudar as equipes de apoio, além de drones para facilitação das buscas".


