Lula convoca ação e tenta definir roteiro contra negacionismo climático

Texto aponta lacunas críticas no atual regime climático internacional, desde metas pouco ambiciosas até financiamento insuficiente

Pedro Teixeira, da CNN Brasil, Belém
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou, durante a Cúpula de Líderes da COP30, o documento chamado de Ação de Belém pelo Clima, no qual o chefe de Estado brasileiro convoca todos os países a um novo impulso global para enfrentar o aquecimento da planeta.

O texto aponta lacunas críticas no atual regime climático internacional, desde metas pouco ambiciosas até financiamento insuficiente, e propõe medidas concretas para preencher esses vazios.

A diplomacia brasileira avalia que o gesto serve de contraponto para movimentos negacionista, em especial do governo do presidente americano, Donald Trump.

Entre as estratégias apresentadas, o movimento exige que os países que ainda não apresentaram suas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) o façam com ambição alinhada à meta de limitar o aumento da temperatura média global a 1,5 °C.

O documento também destaca que a adaptação às mudanças climáticas, fortalecendo populações, ecossistemas e economias, deve estar no centro das políticas, e propõe mecanismos financeiros novos, inclusive “troca de dívida” (debt swap) para permitir que países em desenvolvimento implementem suas estratégias sem aumentar seu endividamento.

Além disso, são propostas medidas estruturais, como a criação de um Conselho de Mudança do Clima, cronograma para saída gradual dos combustíveis fósseis, expansão de mercados de carbono e canais de financiamento voltados à conservação de florestas.

O chamado reforça que os países desenvolvidos, responsáveis historicamente por grande parte das emissões, têm obrigação material e histórica de apoiar as nações em desenvolvimento na transição para uma economia sustentável e de baixo carbono.

Segundo o governo brasileiro, a mudança climática “já não é uma ameaça do futuro. É uma tragédia do presente”, atingindo mais fortemente populações vulneráveis e exacer­bando desigualdades profundas de raça, gênero, renda e condição social.

Ao concluir, o Brasil convoca os líderes mundiais a reafirmarem seu compromisso com o multilateralismo climático, descartado por americanos, associando o combate à mudança do clima à erradicação da pobreza, à justiça social e à proteção de povos indígenas e comunidades tradicionais.