
Negligência ameaça tornar COP30 menos inclusiva, diz Observatório do Clima
Instituição cita preço das hospedagens e dúvidas sobre a legitimidade das negociações, sem países mais pobres

O Observatório do Clima afirmou nesta terça-feira (12) que a crise de hospedagem em Belém, sede da COP30, “ameaça tornar a conferência a menos inclusiva da história”. Em manifestação pública, a rede de organizações ambientais acusou o governo federal brasileiro e o governo do Pará de “negligência” e disse que o problema, “transformado em bomba-relógio”, já afasta delegações e representantes da sociedade civil.
Segundo o texto, “os custos proibitivos de hospedagem já reduziram — e reduzirão ainda mais — o número de representantes da sociedade civil global que podem participar”, colocando em risco a meta do Brasil de realizar uma “COP dos Povos” na capital paraense.
O Observatório avalia que uma redução no número de delegados “minaria a própria legitimidade de tudo o que fosse negociado em Belém”, favorecendo países contrários ao Acordo de Paris.
Uma COP vazia seria, além de um constrangimento histórico para o Brasil, uma preciosa oportunidade perdida para a humanidade em um momento em que temos apenas cinco anos para manter viva a meta de temperatura do acordo climático.
A entidade afirma que houve tempo para construir hotéis, trazer navios e criar alternativas, mas que “fez-se menos do que o necessário” e que o atraso na plataforma oficial de hospedagem — lançada apenas em agosto — não resolveu os preços considerados abusivos.
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, tem negado mudanças de sede. “A COP vai ser em Belém. Não há plano B”, disse. Ele afirmou que o governo busca garantir que “todos possam vir a Belém” e que o único problema levantado — o preço das diárias — será “superado”.
O ministro do Turismo, Celso Sabino, também declarou que haverá hospedagem “a preços justos” para todas as delegações, com uso de hotéis, navios, imóveis de temporada e espaços adaptados.
Conforme antecipado pela CNN, uma reunião extraordinária, convocada pela ONU, acontecerá nesta quinta-feira (14), justamente para discutir a crise de hospedagens, além de outras questões logísticas ligadas à cidade-sede.
O Governo Federal, a presidência da COP30 e representantes do Governo do Pará devem participar da videoconferência.


