Roubo de 289 kg de ouro: condenado integrante da quadrilha no Pará

Justiça Federal aplicou pena após 26 anos do crime ocorrido no sudeste do estado

Tayana Narcisa, da CNN Brasil, Belém
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A Justiça Federal condenou mais um integrante da quadrilha responsável pelo roubo de 289 quilos de ouro transportados por um helicóptero da mineradora Vale, crime ocorrido há 26 anos no aeroporto da Serra dos Carajás, em Parauapebas, no sudeste do Pará.

A decisão atendeu a pedidos do Ministério Público Federal (MPF) e impôs ao réu pena de 10 anos e 11 meses de prisão em regime inicialmente fechado.

A condenação foi assinada no último dia 22 e reconheceu a prática do crime de roubo com causas de aumento de pena. Da decisão ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília (DF).

Segundo a Justiça Federal, o réu agiu em conjunto com comparsas, utilizou arma de fogo e restringiu a liberdade dos pilotos da aeronave, que foram obrigados, sob ameaça armada, a conduzir o helicóptero até uma pista clandestina.

À época do crime, a carga de ouro era avaliada em R$ 4,8 milhões. Considerando a cotação atual do grama, estimada em R$ 840, o valor ultrapassa R$ 200 milhões.

O réu foi localizado em 2023, na cidade de Goiânia (GO). Conforme o MPF, outros integrantes da quadrilha já foram condenados em ações judiciais decorrentes da mesma denúncia, enquanto parte dos envolvidos permanece foragida.

Dinâmica do assalto

O roubo ocorreu em 5 de novembro de 1999. Um grupo formado por homens encapuzados, vestidos com roupas camufladas e fortemente armados ficou escondido em um matagal próximo ao aeroporto da Serra dos Carajás.

Os criminosos renderam a segurança do local e retiraram os 289 quilos de ouro de um helicóptero da então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).

Durante a ação, houve disparos de arma de fogo contra vigilantes responsáveis pela segurança da operação. A carga foi transferida para outra aeronave, que faria o segundo trecho do transporte até Brasília (DF).

Sequestro e fuga

Os assaltantes também sequestraram a tripulação do helicóptero. Sob ameaça, os pilotos foram obrigados a conduzir a aeronave até uma pista clandestina em uma fazenda no município de São Félix do Xingu (PA), onde o ouro foi descarregado.

Em seguida, os criminosos ordenaram a decolagem do helicóptero, efetuaram novos disparos para o alto e fugiram em uma embarcação do tipo voadeira até a cidade de São Félix do Xingu. A fuga continuou posteriormente em um automóvel.

Atuação do réu

Na denúncia, o MPF apontou que o condenado teve participação ativa no planejamento e na execução do crime.

De acordo com a acusação, ele era responsável pelo transporte de armas de grande poder bélico utilizadas no assalto, além de ceder sua residência para reuniões do grupo criminoso.

A sentença destacou que a atuação do réu foi essencial para a logística da organização. “Sua atuação não se limitou a um apoio secundário ou acessório, mas revelou-se fundamental à estrutura logística da quadrilha”, registrou trecho da decisão judicial.