Número de mortos por PMs aumenta 94% no 1º bimestre de 2024 em SP

Ministério Público do estado, que monitora as ocorrências, registrou 134 mortes nos dois primeiros meses deste ano

Carolina Figueiredo, da CNN, Em São Paulo
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O número de mortes cometidas por policiais militares em serviço ou de folga no estado de São Paulo aumentou 94% no primeiro bimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2023. Em apenas dois meses, 134 pessoas foram mortas em todo o estado, conforme dados do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) do Ministério Público do estado.

No dois primeiros meses do ano passado, foram registrados 69 mortes nas mesmas circunstâncias. Ainda segundo os dados — que são coletados desde 2017 — o número mais alto de mortes ocorreu em 2020, quando 183 pessoas foram mortas. Em 2021, quando o uso das câmeras corporais passou a ser expandido, os casos registraram uma primeira queda, com 129 mortes, e chegaram ao menor patamar em 2022, com 52 casos.

O aumento de 52 mortes para 69 nos primeiros bimestres de 2022 e 2023, respectivamente, representou a primeira alta da letalidade policial já no governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que "não comenta pesquisas cuja metodologia desconhece" e frisou que os dados oficiais sobre as mortes decorrentes de intervenção policial serão publicados de acordo com o cronograma previsto.

"Em janeiro, foram registradas 46 ocorrências desta natureza no Estado, o que representa 0,2% do total de 16.811 presos/apreendidos no período. As MDIP (mortes em decorrência de intervenção policial) são consequência direta da reação violenta de criminosos à ação da polícia. A opção pelo confronto é sempre do suspeito, que coloca em risco a vida do policial e da população. Todas as ocorrências são rigorosamente investigadas pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento do Ministério Público e Poder Judiciário", diz a pasta.

A SSP afirmou ainda que investe permanentemente na capacitação dos policiais, aquisição de equipamentos de menor potencial ofensivo, e em políticas públicas para reduzir a letalidade policial.

Operação Verão

A Polícia Militar de São Paulo deflagrou, em 2 de fevereiro, a Operação Verão na região da Baixada Santista, no litoral de São Paulo. Motivada pela morte do soldado da Rota Samuel Wesley Cosmo, em Santos, a operação já registra 39 suspeitos mortos.

No final de fevereiro, a Ouvidoria da Polícia de São Paulo enviou um relatório para a Procuradoria Geral de Justiça do Estado denunciando a ocorrência de violações de direitos humanos durante a operação. O documento apresenta relatos de execuções sumárias, invasões ilegais de domicílio e abusos policiais durante abordagens.

Segundo a SSP, 813 pessoas foram presas durante a operação, incluindo 307 procurados pela Justiça. Além disso, 577 quilos de drogas foram retiradas das ruas, e 89 armas ilegais, incluindo fuzis de uso restrito, foram recolhidos.

A pasta afirma ainda que "todos os casos de mortes em confronto são rigorosamente investigados pela Polícia Civil e Militar, com acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário".

Mortes cometidas por policiais militares em SP - 1º bimestre (Gaesp)

  • 2024 - 134
  • 2023 - 69
  • 2022 - 52
  • 2021 - 129
  • 2020 - 183
  • 2019 - 125
  • 2018 - 141
  • 2017 - 163