O Grande Debate: após desabafo, Bolsonaro busca conciliação com STF?

Thiago Anastácio e Gisele Soares também abordaram o atrito entre o presidente e o ex-ministro Sergio Moro e a declaração do ministro da Saúde, Nelson Teich

Da CNN em São Paulo

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O Grande Debate desta sexta-feira (1ª), com os advogados Thiago Anastácio e Gisele Soares, abordou as tensões entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em torno da suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal.

O presidente se justificou, na noite dessa quinta-feira (30), sobre as críticas feitas ao ministro, dizendo que o discurso foi um “desabafo”. “Fiz um desabafo hoje de manhã. Não ofendi ninguém, nem nenhuma instituição. Tenho convicção disso. Apenas me coloquei no lugar do Ramagem”, disse. Na manhã desta quinta (30), Bolsonaro afirmou que a decisão de Moraes “quase levou a uma crise institucional”.

Ramagem foi nomeado pelo presidente após a exoneração de Maurício Valeixo, que levou ao pedido de demissão do então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

A escolha do novo diretor-geral da PF tem sido questionada – por causa da proximidade com a família Bolsonaro – e foi defendida pelo presidente em mais de uma ocasião, mas acabou suspensa às vésperas da cerimônia de posse. O Palácio do Planalto acatou a decisão, mas o presidente disse a AGU (Advocacia-Geral da União) iria recorrer e que o “sonho” de nomear Ramagem para o posto “brevemente se concretizará”.

Thiago Anastácio iniciou o debate avaliando a “descida de tom” do presidente e a resposta do Supremo após efeito das declarações. “O presidente Jair Bolsonaro, depois das duras críticas feitas ao STF na manhã de ontem e da reação dos ministros em solidariedade ao Moraes, percebeu o mais elementar que possa existir no cargo que ele ocupa. Não adianta de nada atacar, ofender, criar insinuações e instigar todos os seus eleitores ao confronto com o Supremo por uma razão muito simples: ele é um dos órgãos dos três Poderes da República e isso ficou muito claro com essa descida de tom.”

Gisele Soares lembrou, em suas falas iniciais, que Bolsonaro está sendo “totalmente coerente” com o seu inconformismo com a decisão de Alexandre de Moraes. “[Bolsonaro] foi mais veemente nas suas críticas. Ele estava extremamente inconformado e indignado pela manhã, pois se sentiu desautorizado ao ver que a pessoa que ele havia escolhido e que tinha habilidades técnicas para tal [teve a posse suspensa]. E de novo, incoerente na visão do presidente, porque é uma pessoa que já ocupa uma posição na Abin. À noite, quando ele faz essa live, ele mantém o seu inconformismo. Ele retoma todo currículo de Ramagem e mais uma vez manifesta a sua insatisfação com a suspensão.” 

 
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O Grande Debate: após desabafo, Bolsonaro busca conciliação com STF? (1.mai.2020)
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Em suas considerações finais, Gisele Soares reforçou a importância das pessoas para auxiliar no combate da pandemia, principalmente a de assumir uma parcela de responsabilidade e questionar as decisões de políticos com as quais não concordam. “É muito importante que neste momento, que temos números alarmantes, que nós preservemos a nossa vida, nossa saúde e a saúde do Brasil”.

Thiago Anastácio encerrou pedindo para que as pessoas apoiem os representantes eleitos e cobrem “mais coesão e harmonia entre todos esses poderes” durante a pandemia. “Fico feliz que nós temos um STF que tem agido de forma firme e, mais importante ainda, é que estamos levando a sério a pandemia. Acabou o ruído. Não é um resfriadinho.”

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