O Grande Debate: ativista pró-Bolsonaro deveria ser presa?

Augusto de Arruda Botelho e Caio Coppolla debateram a prisão de Sara Winter, líder do movimento "300 do Brasil" que realizou ataques ao STF no fim de semana

Da CNN, em São Paulo

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No Grande Debate da noite desta segunda-feira (15) na CNN, Caio Coppolla e Augusto de Arruda Botelho discutiram a prisão da ativista de direita Sara Geromini, autodenominada Sara Winter. Ela é líder do movimento chamado “300 do Brasil”, que esteve acampado em Brasília em apoio a Jair Bolsonaro e foi removido no fim da última semana, por determinação do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. A pergunta do debate foi: a ativista pró-Bolsonaro deveria ser presa?

Caio iniciou sua argumentação dizendo que o grupo que Sara representa “não tem relevância” dentro da base de apoio de Jair Bolsonaro. Dito isso, ele se disse a favor da possibilidade de cidadãos poderem criticar políticos que não concordam, e discorreu contra a Lei de Segurança Nacional, usada para enquadrar Sara Winter. “O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo já escreveu texto citando a legislação como entulho autoritário. Eu defendo que estes conjuntos de leis não podem ter seu uso banalizado, especialmente em um país com histórico de conivência com movimentos sociais violentos.”

“Sara Geromini não é ativista, o que ela faz foge completamente do ativismo, então vou classificá-los como extremistas,” diz Augusto, que analisando as falas, atos e pautas do grupo “300 do Brasil”, disse que aquilo que eles defendem cruzam a linha da liberdade de expressão. “Comparar atos de violência com liberdade de expressão é diminuir a garantia institucional.” Ele também relembra que o grupo já foi prestigiado pelo presidente da República e neste final de semana foi visitado pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub. “Quem vai em uma manifestação dessa é conivente com essa postura.”

“O que não pode acontecer é um duplo padrão,” disse Caio, que reconhece a existência de cartazes e dizeres antidemocráticos em manifestação pró-Bolsonaro, ainda que em minoria, mas disse se incomodar com a maneira que as manifestações pró e contra governo são chamadas. “Manifestações pró-governo foram denominadas como antidemocráticas enquanto as manifestações contra o governo, com faixas portando a foice e o martelo, símbolo de uma ideologia que matou milhões, são chamadas de democráticas. Não adianta a gente ter tolerância baixa com pessoas de um espectro político e passar a mão de extremista de outro lado.”

Augusto questionou o uso do termo extremismo por Caio, dizendo ser diferente a fala extremista da postura extremista demonstrada por Sara e seus seguidores. “Eles publicamente afirmam que querem fechar o Congresso e Supremo por meios violentos. Isso é diferente de alguém que escreve uma pauta extrema em alguma faixa.” Ele ainda disse que a Lei de Segurança Nacional está sendo usada de maneira política pelo ministro da Justiça, André Mendonça, que está usando da legislação para investigar um chargista que realizou desenho crítico a Bolsonaro. “Isso sim é uso político da lei”.

Caio relembrou o vídeo em que Sara Winter desacata policiais, e disse que lá é “possível ver a personalidade dela”, e falou que ela representa poucas pessoas. Mesmo assim, ele diz que este tipo de comportamento por parte de apoiadores de Bolsonaro, “reveste de razão atos arbitrários do poder judicial para silenciar seus críticos.”

(Edição: André Rigue)

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