O Grande Debate: o governo tem projeto para a preservação da Amazônia?

Augusto de Arruda Botelho e Caio Coppolla debatem a fala de Bolsonaro de que o exterior tem visão distorcida sobre a preservação ambiental no Brasil

Da CNN, em São Paulo

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No Grande Debate da noite desta quinta-feira (2) na CNN, Caio Coppolla e Augusto de Arruda Botelho discutiram a fala do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que o governo brasileiro sofre com informações distorcidas sobre a defesa da Amazônia. Bolsonaro disse que quer levar adiante as negociações com a União Europeia. Por diversas vezes o bloco criticou a política do Brasil para a maior floresta do mundo. O tema de hoje é: o governo tem projeto para a preservação da Amazônia?

“O governo federal não tem projeto para salvar vidas em meios a maior pandemia da história recente. Não tem projeto para cultura. Não tem projeto para os direitos humanos. Patina há meses para aprovar reformas essenciais para o país. O governo boicota até mesmo o Ministério da Economia ao apresentar plano econômico sem a participação do ministro da Economia. Não existe projeto algum para o meio ambiente neste governo,” disse Augusto ao iniciar sua argumentação.

O advogado continuou sua fala lembrando que o Brasil se tornou um símbolo de como não tratar a questão ambiental, e relembrou que, em um ano e meio do governo Bolsonaro, o país perdeu diversos investimentos internacionais diante da incerteza da preservação ambiental na atual gestão federal, e mencionou como Bolsonaro respondeu às críticas em relação a Amazônia.

“A resposta de Bolsonaro inicialmente foi de negação acompanhada de afirmações. Depois ele foi além, fazendo discurso ufanista, dizendo que os países querem a Amazônia para eles. Por fim, propôs uma campanha publicitária e voos de helicóptero com autoridades estrangeiras. A visão do presidente para a Amazônia é de salvar contra inimigos externos, similar à ditadura.”

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Já Caio enxerga nas manifestações contra a política ambiental brasileira uma histeria, e lembra que enquanto o Brasil tem 66% de vegetação nativa preservada, a União Europeia tem apenas 25%. Disse também que o tamanho do agronegócio brasileiro é um dos motivos que levam países europeus a realizar essa campanha contra o Brasil.

“O mundo desenvolvido tem dificuldade de competir com produtos agrícolas do Brasil e adotam discursos ambientalista para criar barreiras comerciais. Essas nações acusam o Brasil de transgressões ambientais para tentar colocar a Amazônia sob controle internacional”, afirmou.

Já Augusto diz que o foco da questão não é o agronegócio, mas sim as regulamentações ambientais do Brasil, em especial aquelas aprovadas por Bolsonaro que sucatearam órgãos de controle como Ibama e ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e afrouxaram punições.

“O governo Bolsonaro desestruturou o Ibama e o ICMBio. Em 2019, o Ibama aplicou um terço a menos de multas do que em 2018. O Brasil, por iniciativa do governo federal, flexibilizou e reduziu multas ambientais através de um núcleo de conciliação, que poderia ser interessante, mas vai tornar as multas irrisórias. A queda no número de autuações na Amazônia coincide com o aumento exponencial do desmatamento. Segundo o INPE, em junho desse ano tivemos o maior número de queimadas para esse mês desde 2017. Não estamos aqui falando de teorias conspiratórias de países ricos tentando se apoderar da Amazônia.”

“Não é teoria da conspiração. Existe toda uma articulação política em países europeus em ano eleitoral para trazer produtores locais e ambientalistas para seu lado,” disse Caio, que relembrou que a ONU considera o Brasil como o país que mais protege seu território, tanto em termos absolutos quanto relativos, e classificou a reação de europeus como “histeria”.

Sobre a fama ambiental brasileira, Augusto disse concordar que a legislação do país neste sentido é moderna, mas relembrou uma série de medidas que fazem com que investidores se preocupem com a preservação ambiental brasileira e o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles.

“O desmatamento na Amazônia não é o único problema que faz com que investidores fujam do país, é uma somatória de fatores”, disse. “Avançou um projeto que permite a plantação de cana no bioma do Pantanal. Há também a fala do ministro Salles na reunião ministerial sobre ‘passar a boiada’ para realizar simplificação regulatória, afrouxar a fiscalização do desmatamento.”

(Edição: Bernardo Barbosa)

 

 

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